Finlândia aposenta TV analógica

finlandia.jpg

Eles não são os Jetsons. Não se transportam em foguetes pessoais. Como se vê na foto, eles também compram em feiras livres. Mas, entre outras semelhanças, há diferenças gigantescas. O país que no começo do século passado se viu independente dos russos, hoje tem 5 milhões de habitantes com padrão de vida muito mais alto do que o nosso. Um dos indicativos é a alta tecnologia. Como mostra esta matéria do Estadão, a TV é 100% digital. Os números são bem impressionantes. Para cada 100 habitantes, há 124 celulares - a Nokia, responsável por 41% da produção mundial, é de lá. Mais de 60% da população utiliza a web regularmente, sendo que de cada 100 usuários, 70 são banda larga. Vale ler a matéria.

Interessante que nos diferentes Brasis, sem não fosse pela diferença de infra-estrutura, os brasileiros mais privilegiados com certeza vivem em condições que pouco deixam a dever aos finlandeses. Mesmo sem TV Digital ou IPTV, há uma quantidade cada vez maior de brazucas que não ligam mais a TV pra assistir os programas de TV. O problema é o abismo que existe em relação aos que nem comem.

Tecnologia é meio



Prime Time - video powered by Metacafe

Desculpe o título “lugar comum”. Acabei de chegar de uns dias gravando em praias semi-desertas cearenses. Por coincidência acabei de ver também o vídeo acima no excelente blog da Raquel Camargo. A relação dos homens da caverna com a TV é a mesma que muita gente ainda têm com a Web. Ela é santificada e demonizada todos os dias. Um tipo de postura atrasada, que enche o saco.

A história da humanidade ganha novos rumos a cada incremento tecnológico na comunicação. Considerando que estamos vivendo a evolução o tempo todo, não existe essa de ficar parado, estamos em mais um momento em que a transmissão de informações se expande, o que traz um impacto gigantesco. Mas os protagonistas do processo são os mesmos desde sempre: as pessoas.

PKN-SP - Na minha preguiça eterna para escrever vários posts diferentes, aproveitei o título genérico para divulgar um evento muito legal, um verdadeiro caldeirão de criatividade para quem cria utilizando tecnologia como ferramenta. Entre aqui, confira o edital e participe.

Tivo brasileiro? - Não, não, mas a Net liberou a gravação de conteúdo no HD do set-top-box. Dá uma lida aqui.

Futebol interativo

futebol.jpg

Estou saindo correndo para uma viagem de três dias para fazer um vídeo numa cidade do litoral do Ceará. Queria deixar um último post, porque sei que nesses dias será complicado. Estamos desenvolvendo um joguinho para um cliente da gringolândia, e por conta disso, acabei achando esse jogo, que postei em 2005 num extinto blog que fizemos para outro cliente. Sem competência para música, passei bastante tempo na época brincando com a banda punk.

Meu saudosismo acabou dando lugar a uma notícia que acabei de ler na Folha. Quando o aplicativo estiver rodando na TV Digital brazuca, ver futebol vai se tornar uma experiência muito parecida com um jogo online. Vai ser também bom para saber se tudo o que esses caras falam de estratégia procede mesmo.

Atualizando de saída, com um pé na rua, mais um link legal da Folha.

O fiasco da TV Digital

tvdigital.jpg

Cadê a festa em torno da TV Digital? Como no Brasil os grandes meios funcionam com denuncismo fast-food e, até que surja o novo escândalo da semana, muitos estejam preocupados apenas em incriminar a todo custo os pais da menina que caiu do prédio, a vergonha que tem sido a implantação da TV Digital no Brasil vai ser sempre deixada para lá.

Ao mesmo tempo em que há algum movimento a favor, com emissoras levando sinal ao Rio e Belo Horizonte, em São Paulo o sinal sequer chega a periferia, falhando em 33% de São Paulo, segundo estudo da Phillips. Qual o resultado óbvio? Os conversores se acumulam nas prateleiras das lojas sem serem vendidos. Para piorar, quem comprou o conversor numa área onde o sinal não chega está, com toda razão se revoltando, e deve recorrer Justiça para ter o dinheiro de volta.

O grande problema, no entanto, não são os problemas de implantação. A forma obtusa, nada clara, como foi e vem sendo gerenciado o processo é que incomoda. Nem o festejado middleware Ginga está fora de uma estranha sombra de mistérios. Tenho ouvido por muitos lados diversas críticas ferrenhas, como as que estão bem detalhadas neste post.

O importante não é falar mal do projeto, o que importa é que, por mais que saibamos que a briga entre emissoras e telecons foi pesada, e que jamais saberemos os capítulos mais quentes desta contenda, temos que saber o que vai acontecer daqui para frente. O que foi anunciado com fogos pelo governo não aconteceu. Será que vai acontecer?

A culpa é de quem?

TV Digital era um assunto mantido a portas muito bem fechadas. De repente, pro lançamento, começou a ser divulgada como uma grande maravilha. E tem tudo pra ser muito legal mesmo. O problema é a forma obscura como tudo acontece no Brasil. Depois da festa, o silêncio. A poeira baixou, quase ninguém fala mais no assunto, afinal, quase ninguém tem acesso TV Digital.

De tudo que foi prometido, por enquanto o conversor só garante uma imagem melhor. De interatividade, multicanais e mobilidade não há nada, a não ser a esperança num futuro incerto, já que há muitos problemas políticos, funcionais e conceituais envolvidos. Mesmo assim o preço do conversor continua alto. A indústria culpa o ministro Hélio Costa. O ministro Hélio Costa… Cadê ele? Bem, ele cancelou o cartão corporativo antes de anunciar sua candidatura prefeitura de BH, onde deverá utilizar a TV Digital como uma bandeira de campanha. Uma bandeira branca, talvez.

A gente não quer só TV

Os europeus já passam mais tempo na Internet do que na TV. Essa é a primeira vez que a televisão é preterida desde 2003, quando a pesquisa começou a ser realizada. 96% dos entrevistados reduziram o tempo dedicado outra mídia para dedicar Internet. A TV foi a que mais sofreu, com uma perda de 40%, assim como 28% dos pesquisados lêem menos jornais impressos.

As mudanças são inquestionáveis.

No Brasil, enquanto a IPTV opera em fase piloto, o grande assunto do mês foi TV Digital, um projeto que em vez de ser um instrumento de inclusão social, como foi anunciado, prioriza a manutenção do império das grandes redes de TV. Um dos grandes trunfos da TV Digital, a festejada portabilidade, têm modelo ignorado até pelas empresas de telecomunicações.

O fato é que, já que não há sinalização de que alguém vai investir em algum outro canal de retorno, os celulares seriam a o canal para a também muito anunciada interatividade. Isso pode até acontecer algum dia, mas, se acontecer, vai demorar.

Caixa Interativa

Ser o primeiro nem sempre é tão bom. A Caixa Econômica Federal quis ser o primeiro anunciante da TV Digital a usar a interatividade e mostrou que o negócio ainda está tosco. Entre aqui, veja o que se propõe de interatividade. É muito pouco.

Todos sabemos que as tecnologias se desenvolvem rápido. Tudo bem. A questão não é essa, é a forma torta desse processo. Na briga entre os grupos de comunicação e as telecons quem perdeu fomos nós. Mobilidade? Vai ser difícil. Multicanais? Ninguém nem fala, afinal as emissoras não querem pulverizar suas forças para abrir novos canais - pois é, o direito é deles, não de novas possibilidades. Interatividade? Tomara que comece uma corrida grande dos pequenos grupos porque até o momento o que se conseguiu é muito pouco. Como é que alguém ainda pode querer falar sobre inclusão social pela TV Digital?

Leia no blog de André Deak o que andam dizendo Sérgio Amadeu e Lia Ribeiro Dias. O Observatório do Direito Comunicação também está com um texto bem interessante levantando críticas que ninguém comenta.

Entrou no ar a TV Digital. Ninguém viu.

O Tiago Dória, como de costume, está com um post muito bom sobre a TV Digital. Na quinta-feira um jornal local me pediu um artigo sobre o tema, fiz e pelo que sei não saiu e foi publicado. Está aí na íntegra, com uma pequena correção de tempo.

Neste domingo a TV Digital vai entrar entrou no ar em São Paulo. De repente um tema que nunca ficou muito claro para quase ninguém virou barbada em anúncios publicitários e matérias jornalísticas. É o assunto do momento. Divulga-se que será tudo uma maravilha. A impressão que dá é que vai mudar muita coisa, embora muito pouca gente saiba o quê. A verdade é que por enquanto não vai mudar praticamente nada.

Há pouco tempo recebi o convite do professor-doutor Cidcley Teixeira, um dos pesquisadores responsáveis pelo Sistema Brasileiro de TV Digital, para participar do Grupo de Pesquisa e Desenvolvimento em TV Digital Interativa. Nesse primeiro momento os textos disponibilizados e os debates têm feito o grande favor de me tirar da sombra. Antes, por estar interessado no tema, devorava informações contraditórias publicadas por grandes grupos de comunicação que transformam tudo num oba-oba obscuro, e ficava perdido sem estabelecer de forma nítida uma ligação do “fato” com a realidade. Mais uma prova que a comunicação, quando bem feita, pode tornar tudo absolutamente confuso – não dá para acreditar que a intenção nesse caso seja outra.

A curto prazo o que acontecerá é que a TV Digital irá proporcionar imagem e som melhores. Claro que isso não é para qualquer um. Ou você desembolsa uma boa grana para comprar uma TV nova adaptada ou um conversor de sinal analógico para digital. Ah, nesse caso, pelo menos nessa primeira fase, é necessária também a aquisição da feiosa antena UHF. Tem loja vendendo conversor por R$ 1,1 mil. Até o momento o mais barato custa em torno de R$ 400,00. Convenhamos que, por mais que o ministro Hélio Costa insista que vai conseguir baixar os preços antes mesmo que o mercado o faça, a relação custo-benefício ainda não é das mais sedutoras.

E onde é que ficam as questões da mobilidade, interatividade e inclusão social? A idéia é que ficassem para depois. Esqueceram apenas que em toda festa animada alguém resolve ir cozinha. Aí complica, porque o lugar de onde vem os quitutes pode não ser como a gente espera. A tão falada interatividade, por exemplo, ainda é o mais absoluto enigma.

Interatividade não é apenas, através de um controle remoto, escolher o candidato do Big Brother que você deseja que ganhe R$ 1 milhão. Ou comprar um vestido igual ao da atriz da sua novela preferida apenas num clique. Dá para ir bem além. O fato é que não existe um modelo definido de como se dará essa interatividade de forma relevante. De antemão vamos lembrar que não estamos falando de Internet nem da maneira tradicional de se assistir TV. Alguém pode até dizer: “No futuro TV e computador serão uma coisa só”. Provavelmente sim - talvez não -, mas convenhamos que no Brasil ainda não está tão próximo o dia que os computadores estarão em todas as casas onde há televisão.

Estamos falando de uma nova forma de criar e produzir conteúdo, de uma nova forma de se relacionar com o conteúdo distribuído. Tudo isso sem prejudicar a experiência coletiva familiar de consumo do referido programa ou filme. É através dessa interatividade real que se pode chegar a um modelo de inclusão social plausível. Esse conceito de interatividade não foi desenvolvido, muito menos as ferramentas necessárias para que ele se realize. Existem avanços consideráveis, assim como lacunas gigantescas que estão sendo escondidas nos fundos da festa. O que a gente quer com o Grupo de Pesquisa e Desenvolvimento em TV Digital Interativa é, aqui do Ceará, deixar a festa mais bonita, criando um modelo que permita a participação de muito mais gente.

Por que no Brasil nada pode ser feito do jeito certo?

Impressionante. Por que nada por aqui pode ser claro, transparente?

Se você está lendo um blog sobre conteúdo web, vídeo online, redes sociais, essas coisas aparentemente vindas de Marte para a maioria das pessoas, então certamente você tem um nível de informação privilegiado. Consulte então seus amigos sobre o que eles sabem a respeito do lançamento da TV Digital no Brasil, previsto para dois de dezembro. Garanto que você não conseguirá muita gente dispondo de informações relevantes.

Elas não existem. O processo foi obscuro, há um oba-oba meio sinistro por cima e a impressão que dá é que nada vai mudar a curto prazo, afinal quem vai querer gastar uma grana alta só por causa de uma imagem melhor? O mais engraçado é que, se você não quiser investir numa TV nova, até poderia comprar um set-top-box, que vai custar… isso também ninguém sabe.

Acredite se quiser, mas o ministro Hélio Costa fez uma comparação surreal com o Iphone e uma busca na Internet para provar que quem diz que vai custar R$ 700,00 está mentindo - aliás, sugiro que o ministro faça como eu, coloque um alerta no Google. O problema foi que ele esqueceu de combinar com os fabricantes. A Gradiente já anunciou que o preço do seu set-top-box será R$ 700,00 mesmo. Ou R$ 800,00.

Enquanto isso as grandes emissoras tratam tudo como se fosse uma festa aberta a todos. Está na hora de alguém explicar como será o acesso TV Digital, de que forma será a interatividade , como isso gerar inclusão social, enfim uma miríade de respostas que ainda não foram dadas . E pelo jeito não serão.

Oprah no YouTube

Lembro bem no auge do sucesso de Michal Jackson, quando vi algumas dessas listas de artistas mais bem pagos do mundo, e o cara que aparecia em todos os canais de TV, rádios e revistas - na época não por seus relacionamentos com crianças - era o segundo colocado, atrás de uma apresentadora de TV que até então eu nunca havia sequer ouvido falar.

Passados mais de 20 anos, Oprah Winfrey mostra mais uma vez porque se mantém como uma das maiores celebridades do planeta. No vídeo acima você vê o entusiasmo da mega-star ao apresentar seu canal no YouTube, ressaltando que qualquer pessoa pode ter um igual. Em vez de fazer como vários grupos de mídia que apenas reproduzem conteúdos na Web, ela gravou um depoimento exclusivo para o YouTube, vai gerar conteúdo específico para o YouTube, mostrando os bastidores, gravando falas, entrevistando gente que, de diversas formas, se projetou com o YouTube. Imagine isso num crosse-media com uma das maiores audiências de TV dos Estados Unidos…

Essa investida oficial de Oprah no YouTube me fez lembrar um “cliente” que, de fato se interessa e busca entender de Web (ou seja, estamos no mesmo barco), e ele me surpreendeu ao dizer que não gostava da utilização do player do YouTube num blog específico que estávamos trabalhando porque, além do problema real de banda que torna chata mesmo a experiência de esperar um vídeo carregar, a imagem do player estático fica pobre, assim como a definição do próprio vídeo. No mesmo Lost Remote onde vi a notícia do canal da Oprah tem uma nota onde grandes grupos que investem online acreditam que os usuários não estão muito preocupados com a qualidade dos vídeos online. Isso é pelo menos interessante. Ainda mais num país onde a única evolução próxima e concreta da TV Digital ainda resume-se melhoria da imagem.

E a pancada do Google no Facebook com o Open Social hein? Os caras têm mesmo o poder. Esse, aliás, é outro assunto pra ser digerido com calma…

Próxima »