Grandes momentos do jornalismo multimídia

Ramon Salaverría disponibilizou no blog e-periodistas os cases que fazem parte do seminário “As novas linguagens jornalísticas na internet: gêneros & formatos multimídia”, pro pessoal da Globo e do G1. Trata-se de um passeio em 10 anos de desenvolvimento e busca de novos formatos, desde infográficos simplórios a vídeos como o deste post.

Vale conferir a lista.

5 textos sobre jornalismo

escultura_de_jornalsized.jpg

É aquela coisa: toda vez que atualizo o RSS fico no dilema entre compartilhar links interessantes com os amigos e não encher o saco de ninguém.

Um fenômeno que acontece com diversos sites se confirma com o jornalismo: o conteúdo é 140% mais visto fora dos sites originais. Outro dado interessante, embora muito preocupante, é o da existência de 400 faculdades de jornalismo no Brasil.  É muita gente pagando o que não pode para se formar, é muito mais analfabeto a cada ano com um diploma debaixo do braço. Lembra bem um rapaz do sétimo semestre de uma faculdade - hoje jornalista - que me enviou um email de três linhas cujo conteúdo até hoje não compreendi. Sei somente que era algo sobre um estágio.

Quem for bom, e mesmo assim não conseguir empregos legais, sempre tem uma alternativa. Se tem tanta gente no mercado, ainda mais hoje em dia “invadido” - ainda bem, já que esta multidão de jornalistas não dá conta - por geradores de conteúdo independentes das mais diversas formações, sobretudo na web, o maior desafio é: como atribuir relevância ao seu conteúdo no meio de tantos conteúdos? E tome assunto.

Tão simples e funciona

A gente sempre tenta olhar tanto para frente que não enxerga o que está na cara.  Eu pelo menos adoro o formato de vídeos compostos apenas de fotos e áudio. Algo que já era feito há mais de um século. Enquanto muita gente discute meio que em pânico sobre como os jornalismo será cada vez mais multimídia e blá blá blá, os caras do New York Times, um dos grupos que puxam tantas mudanças, trazem algumas soluções simples e que agregam valor.

Além da matéria sobre o filme Milk, do Gus Van Sant, os caras colocaram um conteúdo muito legal com fotos e o diretor narrando como foram recompostos os cenários para ambientar a vida do político e ativista gay Harvey Milk, nos anos 70, interpretado pelo Sean Penn. Mais um post que entra para a lista dos “não tem nada demais”, e, talvez até mesmo por isso, funciona.

Ah, já que se falou na matéria sobre o filme, nada mais óbvio que colocar lá em cima o trailler né? Ou não? :)

Jornalismo à moda antiga

Há algum tempo faço parte de uma comunidade no Ning chamada WiredJournalists. A verdade é que mais uma daquelas que você entra e esquece. Pelo menos assim foi comigo. Hoje fui lá, dei uma olhada no conteúdo. Alguns vídeos e informações bem interessantes. Preferi, contudo, em vez de trazer links ou vídeos sobre novas tecnologias, este acima, postado por Mateusz Marcola, que explica a função de jornalista. O vídeo é de 1940.

Interessante observar como, com exceção da parte industrial e do Google, a maioria absoluta dos jornalistas de impresso brasileiros trabalham exatamente da mesma forma ali mostrada. Sem querer entrar no mérito do melhor ou pior, é pelo menos fundamental que o que puder servir de benefício seja utilizado. Com certeza, sem inventar muito, há muito que se evolua o tempo todo.

O futuro chegou faz tempo

ambulantesnotremjpg.gif

Enquanto tem muita gente discutindo o futuro do jornalismo, há outros vivendo este “futuro”. Não lembro de ter visto no jornalismo online brasileiro nenhuma reportagem tão legal quando “Ambulantes de Trem”, primoroso trabalho de graduação que descobri via Intermezzo.

Outra dica impagável é o Extreme Studio, diretamente do blog da Colméia. Vá lá e monte seu filme.

New York Times vai abrir API

new_york_times_sudoku.jpg

Em quantos públicos diferentes um jornal do tamanho do New York Times está segmentado? De quantas formas os conteúdos transcendem as páginas (impressas ou digitais) do NYT para se dirigirem em busca dos seus targets? Há mais de 100 projetos de inovação tocados pelo pessoal do Times Digital em busca de capilarizar a informação gerada pelos mais diversos suportes. Há poucos dias mostramos alguns dos experimentos geeks que visam usuários comuns.

Um desses projetos é criar uma API para que comecem a surgir os mais variados tipos de mashups. Até onde vai essa abertura, eles asseguram que ninguém sabe. Para ter uma idéia do que é possível, olha o que os programadores independentes - no sentido de não serem contratados por este serviço específico - fazem pelo Last.fm, e tentem imaginar n universo do NYT o que deve pintar por aí. Mas a idéia não é simplesmente virar uma nova rede social baseada em notícias. Sem detalhar os objetivos, eles querem mais do que isso. Vale ficar atento.

Via Cyberjournalist.

Visite o New York Times

Quando dava aula, levei algumas vezes meus alunos para conhecer redações. Não sei se o fascínio deles era o mesmo que o meu imaginando as possibilidades de conhecer o NYT por dentro. Minha maior curiosidade é ver como a cultura de inovação vem transformando uma das maiores empresas de comunicação do planeta. É diferente de você ver alguns “jornais” replicando na web as experiências que vêem por aí. A idéia aqui é outra: pensar as mudanças de hábito do leitor e como fazer a informação fluir pelos mais diferentes suportes.

Todos os vídeos são como o que está acima, feitos com celular numa qualidade ainda longe da ideal. Mas vale a pena abrir os links do post do Scobleizer para conhecer as experiências interativas que estão rolando.

The Guardian pode sumir das bancas em breve

art116guardian455.jpg

A preocupação sobre o futuro do jornalismo, mantra exaustivamente repetido dentro de todas as empresas jornalísticas, ganha mais força após o anúncio de que o tradicional The Guardian pode em pouco tempo abandonar o impresso. Nesse caso foi o próprio diretor de projetos editoriais Neil Mcintosh quem declarou que “mais cedo ou mais tarde eles terão que decidir o que fazer com a versão impressa”.

O texto do sempre brilhante Carlos Castilho reafirma que a tendência da dita simbiose entre plataformas offline e online pode estar nos impressos se dedicarem ao jornalismo analítico e investigativo, deixando de lado a cultura do furo, que, de fato, não faz mais o menor sentido, já que o impresso virou o “marido” das mídias: sempre o último a saber.

Este post do Tiago Dória confirma a crença que, com um posicionamento que não “brigue” com o online, os impressos terão sobrevida garantida.

Vale também ressaltar o posicionamento do Washington Post, definindo a “educação” como sua maior missão corporativa. Sobre tanta mudança de modelo de negócios, Castilho alerta para a possibilidade de uma espécie de “bolha do impresso”, já que ao mudar seu enfoque, os jornais passariam a disputar o mesmo nicho das revistas semanais.

Twitterlândia

twitter.jpg

Desde o ano passado já ouvi trocentas vezes “o que é twitter?” ou “twitter vai já ser esquecido”. Vi também utilizações do Twitter em campanhas publicitárias , cases como o do Obama, de grandes bancos querendo usar o Twitter, enfim, tudo dá a entender que ele superou a desconfiança inicial e extrapolou o grupo de figuras que estão em toda e qualquer rede social que surge, e por vezes acreditam que o mundo inteiro se resume a esse busca insana por estar em todos os lugares e em lugar nenhum ao mesmo tempo.

O que mais impressiona, e é por aí que avalio o sucesso, é a quantidade gigantesca de aplicações diferentes feitas com o Twitter. Cada vez que vou ver, tem mais coisa. O Online Journalism Blog publicou um texto para incontáveis utilizações diferentes - e aplicativos - diferentes. Ah, sobre o Twitter, mesmo de forma bem tímida, também estou lá.

Não é só o impresso que vai morrer

jornal.jpg

É difícil não se deixar contaminar por discursos proféticos ou pela euforia em momentos de transição. No duro mesmo, aliás, momento de transição é o tempo todo, toda revolução é contínua. O que acontece é que hoje em dia a seqüência de transições cada vez mais é “percebível” pela velocidade com que as plataformas e tecnologias em geral se sobrepõem.

Matéria da Reuters fala sobre a queda na vendas dos jornais nos Estados Unidos. Não há dúvida que o modelo de negócios dos periódicos é algo a ser reformulado. O custo fixo com estrutura física, impressoras, papel, tinta e distribuição são altíssimos, e as notícias não se diferenciam mais por serem novas - não estou contando custos com equipe e produção de matérias.

Daí a simplesmente decretar a morte dos impressos - ou pelo menos a data marcada - me parece meio simplista. De fato o que me interessa mais é a busca por novas linguagens e formas de comunicação. Suportes de fato morrem. Exemplo básico é a música, que do gramofone aos arquivos digitais, vem nos acompanhando em diversas mudanças. Por isso quando um cara como Jonathan Schwartz anuncia que os blogs serão anacrônicos (link via Radinho), vale a pena ler. A transição não pára. Enquanto as tecnologias vêm e vão, as pessoas e a necessidade de se comunicar, seja de que forma for, permanecem.

PS. Nada a ver com o assunto, vale ver os VTs da Nike e Adidas neste post.

Próxima »