Cadê o dindin?

Engraçado o desespero com que as empresas de jornalismo estão correndo atrás do dinheiro. Esta notícia desmonta a possibilidade de aumento de receita por anúncios em web. Confirmando-se esta vertente, cairia de vez por água abaixo a velha máxima de “vamos investir para ter muita audiência e depois colher os frutos com verbas publicitárias”. Se este clima pega, os tímidos investimentos tendem a virar pó. Imagine que loucura, seria a bolha das bolhas ou, como sugere a mesma matéria, seria hora de pensar em outras formas de faturamento.
Há algum tempo penso nisso. Desconfio de soluções como vendas de assinaturas ou de produtos, assim como desconfio desta infertilidade da propaganda. Acho que bem na cara há outros formatos possíveis. O jornal A Crítica, de Manaus, levou três primeiros lugares e um segundo entre as melhores campanhas do INMA Awards, com 531 campanhas enviadas por 147 jornais de 53 países. Outros jornais brasileiros estiveram entre os premiados. Veja aqui.
Tudo bem, eu comecei falando de digital, pulei pro impresso. Claro que foi de propóisto. É ou não é interessante que um jornal fora dos principais centros econômicos seja capaz de tanta inovação num produto tão tradicional? As possibilidades de inovação são absurdas.
Se há tanto o que fazer no impresso, imagine no digital. O que acho engraçado é como, a cada tecnologia anunciada, as críticas são ferozes como se aquela tecnologia fosse simples e acabada para revolucionar tudo. Como não existe nada assim no mundo, estes mesmo críticos se tornam detratores da nova ferramenta. Eu, que acho que a essência das coisas permanece como em Platão, tenho total fé no antropofagismo, em devorar tudo o que está pintando, tentando combinações de como isso tudo pode facilitar nossas vidas. Não tenho a menor dúvida de novos formatos sendo revelados a partir de tecnologias que já conhecemos. Este exemplo do Livro Vivo com QR Codes é apenas mais um passinho à frente. Em vez de se irritar “não vou usar isso nunca, é muito complicado”, vamos pensar no que ele pode gerar. Tem muita estrada semi-desbravada por aí pra quem gosta de contar histórias - e, quem sabe, ganhar dinheiro.







