O “diabo” das mídias sociais
Ontem no Twitter vi o comentário de que tem agência pernambucana pagando R$ 200,00 para analistas de mídias sociais. Se isto existe, acho que é um retrato bem fiel de toda uma situação e, mais do que apenas reclamar ou pensar na criação de um sindicato, deveria nos fazer refletir:
1) Boca a boca
As pessoas desde sempre falaram sobre o que as interessa. Não há novidade aí. Com a internet, a divulgação por nichos de interesse tem tudo pra ser potencializada e acelerada pela possibilidade de registro do que é dito em canais compartilhados, rompendo limitações geográficas e de tempo.
O Kenzo Kimura dia desses me perguntou se todo mundo era analista de mídias sociais. Foi ótima a provocação.
Eu acho excelente todo este clima de euforia, que me envolve também, mas se a gente reduzir um trabalho que deveria ser estratégico simplesmente a gerenciar perfis de Orkut, Twitter e Facebook, entre outros, estaremos esvaziando de importância este profissional.
3) Não vou me expor
Dia desses numa conversa de prospecção, o (então) possível cliente perguntou pelo “diabo” das mídias sociais. Interrompeu a explicação no meio, depois disse: “Não é isso que eu preciso, não vou me expor, o que eu quero é vetar quem fala mal da minha empresa”. O único caminho que conheço para isso é através da Justiça. Se muita gente falar mal, ele processa todo mundo, depois avalia o resultado das medidas tomadas.
As pessoas estão falando o tempo todo. Há duas opções: ficar fora ou participar da conversa. Participar significa começar um relacionamento, o que será mantido com tempo e atenção real. Não é fácil, não tem receita de bolo.
Querer impor ou enganar as pessoas, será um tiro no pé.
4) Pra que falar com pouca gente?
Grandes empresas mundo afora estão brigando pra entrar na conversa, e cada vez mais em nichos. Uma primeira mudança cultural na forma de fazer comunicação é deixarmos de pensar em falar com o máximo de pessoas possível de uma só vez. Nosso desafio, de novo, será motivar conversas. Pra isso, precisamos oferecer algo relevante pra chamar a atenção destas pessoas.
5) Tem um modelo pronto?
Como já vimos no item passado, não há como querer replicar uma visão de comunicação tradicional para meio digital porque a chance de não funcionar é bem grande. Não existe um modelo fechado. Estratégia, ferramentas, tudo vai depender de cada campanha, sempre visando gerar o “velho” boca a boca.
6) O resultado é garantido?
Nenhuma campanha sai de uma agência com resultado garantido.
No caso específico das mídias sociais, estamos ameaçando engatinhar ainda. É um aprendizado. O animador disso é que as possibilidades de formatos, narrativas, integrações, seja do que for, são incalculáveis. E as métricas, bem mais palpáveis.
7) Faço só mídia sociais então?
O grande desafio é o mesmo de sempre: a ideia. Orlando Mota definiu bem no seu artigo para o jornal O Povo.
De acordo com o caso, temos que pensar em como integrar tudo da melhor forma, sem considerar o digital um “apêndice”. Mesmo apenas em ambiente digital, a partir de uma boa ideia, dá pra fazer diversas integrações, com uma noção de experiência e proximidade muito mais claras para o consumidor.
Ontem “tuitei” um texto do Alexandre Peralta, da PeraltaStrawberryFrog, resumindo: “esta é a nova mensagem, não importa qual seja a mídia”.
8 ) Minha agência faz isso?
Há campanhas de mídias sociais com investimentos muito baixos e ótimo resultado pros clientes, como esta da Ikea. Para um cenário como o nosso, em que os orçamentos costumam ser apertadíssimos, como a agência faz pra ganhar dinheiro com isso? Esta pergunta parte da premissa que ações como essa seriam supostamente feitas se sobrasse alguma grana. Como não sobra…
Nós, aqui da 101° Macaco, temos tentado com algum êxito, como você pode ver aqui. Tem mais gente tentando, normalmente quem tem uma estrutura menor, e já está com foco em digital. Claro que o retorno financeiro imediato é bem menor do que campanhas de mídia tradicional.
Acredito que as maiores agências locais em breve pensarão suas campanhas de forma integrada, já que a entrada do mundo digital significa expandir, sem de forma alguma abrir mão do atual modelo de negócios.
9) Só gringo que faz?
Este item 9 não estava previsto. Como eu estava limpando o RSS, e resolvi escrever o post a partir dos links, ficaram só links gringos, tirando o da 101° Macaco. Só pra vacinar, dois links a mais de cases brazucas: Postos Ale e Rede Globo. Ah, e pra quem disser que são clientes grandes, aí é que está o maior engano. Por uma causa comum, até de graça o pessoal se mobiliza.
O “diabo” das mídias sociais, com desculpa da repetição, está rolando o tempo todo.



A união faz a força, boas idéias fazem a força, grandes idéias não precisam de muita verba para darem certo, mas a verba tradicionalmente serve para propagar a idéia nos mais diversos lugares, e meios de comunicação, existem campanhas feitas para a Tv e rádio, outras até um cartaz no post chama atenção apesar de não ser a forma mais indicada, tem pessoas que não saem de casa como uma dona de casa que só vê tv e faz as tarefas de casa irá ver um flyer? Para isso existe a publicidade da tv e rádio, hoje muita gente quer ser da mídia, quer fazer mídia, muitos não sabem nada outros sabem muito e o sucesso toma conta. Quando Iron foi para Recife, nós nos movemos aqui em Fortal e fizemos um movimento via orkut, juntamos algumas caravanas, eu e outro amigo acampamos na praia de Boa Viagem, vimos o show, o movimento Iron em Fortaleza começa, tomara que dê certo mesmo pois estarei lá!
Falow
Hélcio, seu post me motivou a escrever um outro. Passa lá no Tempos Modernos: http://gabs.com.br/blog/2009/12/07/quem-e-mesmo-o-analista-de-midias-sociais/
Abraço!