Mídia social não é pirlimpimpim
Hoje mais cedo retuitei o vídeo acima. Aproveitei uma hora do almoço bem tranquila para assistir quase todo. Faltando 10 minutos, tive que abandonar.
O documentário é legal. Pros ansiosos, não chega a ter muita novidade. O time regido pela torcida ou a rede social de empréstimos financeiros lembram muito o conteúdo do Wikinomics. Mas que saco: quem disse que temos que consumir apenas o que é novo o tempo todo? Seria enlouquecedor. É legal revisitar o termo “redes sociais” de uma maneira mais abrangente, sem ser apenas “aproxime-se de seu cliente”. Imaginar formas de gestão pública ou privada que sejam participativas de verdade é sem dúvida animador.
O ponto que quero chegar é que depois que se passou a falar de “mídia social”, este termo virou um clichê tão chato e vazio quanto qualquer outro. Até mesmo porque quando você entrar no Twitter, por exemplo, a impressão é que tem muito mais gente vendendo do que comprando. Minha impressão é que o fenômeno que há poucos anos aconteceu em SP se reproduz por diversos estados. Um certo deslumbramento, uma metalinguagem sem fim - em qualquer sentido. Todo mundo quer abocanhar o tal filé da mídia social, exibindo um cardápio repetido e nem sempre exequível.
Não quero desestimular nem falar mal de ninguém. Acho ótimo que exista um clima de empolgação, que mais gente se interesse e difunda o assunto. O que me incomoda é que muitos de nós, que deveríamos zelar por catequizar o mercado, estamos agora bancando os profetas com solução pra tudo. Tenho visto uns pacotes prontos de mídia social que são de vomitar. Já recebi visita de gente vendendo “rede social igual à do Obama”. Ainda tem quem ache que tudo gire em torno exclusivamente de tecnologia. Em outros casos vende-se uma apresentação cheia de velhas novidades e terminologias em inglês, e depois se joga um coitado lá na cova das leões para fazer o trabalho que deveria ser de uma equipe. Claro que não funciona - mas há quem ache que o imporante é que o (mau) serviço tenha sido vendido.
Não existe remédio perfeito produzido com mídias sociais - nem com nada. Embora não seja meu negócio no momento, é algo que acompanho e acredito há uns anos. O desafio é como chegar ao mercado deixando um pouco de lado o oba-oba, adequado à realidade, principalmente de mercados mais frágeis como o nosso, em Fortaleza. Isso depende de diversos fatores. Como disse a gerente de e-marketing da Roche para a América Latina, Ronízia Moura, “web não e barato”.
Claro que se você for comparar de forma absoluta com uma campanha de mídia tradicional, talvez a impressão seja a contrária. Mas se você pensar que um projeto de mídia social exige um prazo normalmente mais extenso, que o relacionamento se dá todos os dias, não apenas quando você dispara algo, que você compartilha o processo com todos da rede, que diferentes formas de monitoramento, aí a coisa muda de figura. Planejar uma campanha de mídia social demanda sim tempo e um investimento considerável, se você quiser retorno de verdade. Este papo de “baratinho” é também um mercado real, mas cá entre nós, faça a gentileza de deixá-lo para os sobrinhos dos empresários sem horizontes.
Não tenho a menor dúvida da eficácia quando bem feita, mas por favor, vamos entender a importância da mídia social dentro de um planejamento de comunicação, e levar o processo a sério em todas as suas etapas, não achar que é algo que se resolve com pirlimpimpim. A gente está muito atrasado para nos perdermos em verniz. A responsabilidade por fazer o mercado acreditar em mídia social é de quem deseja trabalhar com isso. O mercado anunciante de cidades como Fortaleza ainda vê este tipo de estratégia como bijuteria. Está na hora das pessoas que de fato entendem do assunto começarem a mostrar a cara para não dar espaço aos oportunistas que já começam a aparecer. Boa sorte a todos.


Helcio, nada a acrescentar no excelente texto. Pela minha mão, vez ou outra, chega alguma proposta que ou é extremamente rasa por não compreender toda a logística da manutenção das relações nas midias sociais ou é extremamente inexequível justamente pela falta de nexo com a realidade ou com um direcionamento de público eficiente. E não são, em vários casos, empresas de fundo de quintal.
Temo muito pelo nosso mercado com o excesso de projetos irresponsáveis apresentados, muitos até sem previsão de auditoria de resultados ou prometendo o que não se pode cumprir ou prever. Mostremos a cara, endosso o chamado!
Gostei do Post. Uma alfinetada inteligente em comportamento imaturo. MESMO ASSIM, discordo em alguns pontos, e é por isso que resolvi comentar.
1.Os “gurus”, ou como preferir “oportunistas que já começam a aparecer”, só aparecem definitivamente por que entendem a internet e se interessam por dividir oque sabem ou ainda estão aprendendo sobre um determinado assunto. E em função da própria natureza democrática da internet, estas pessoas só tem relevancia hoje, ou só estão aparecendo agora, porque até então só eram ouvidas aquelas pessoas que tinham uma “alcunha relevante” para tal. Internet é conteúdo, e se você tem conteúdo, tem relevancia.
2.Essa história de “essa nova onda de mídias sociais” é besteira. As redes sociais SEMPRE EXISTIRAM. Um belo exemplo disso é a salinha do café e rádio peão, dentro das empresas, por exemplo. Oque acontece, é que com o perfil democrático da internet, potencializou estas relações. Portanto, o “pirlimpimpim” só funcionará na rede, se tiver relevancia também no Off-Line.
Bom é isso. Espero ter agregado.
Belo post, Hélio.
Fico torcendo para que esse post ultrapasse os social media wannabes e chegue a ‘quem de fato entende do assunto’ e a quem vê futuro promissor e amplo na disciplina.
Abraço!