Somos todos jornalistas?

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Desde sempre considerei fora de foco a caça que sindicatos fazem aos “falsos jornalistas”. Embora considere o curso superior de jornalismo necessário pela visão geral oferecida e pela rica possibilidade de debates, a verdade é que em questão de técnicas específicas não há tanto a se dizer. Para mim, muito mais importante seria criar algum tipo de mecanismo que evitasse que tanta gente desqualificada, semi-analfabeta mesmo, estivesse no mercado se escondendo atrás de absurdos diplomas. De outra forma - claro que numa visão muito generalizada -, jamais o contratante irá ver necessidade em contratar um jornalista. E terá toda razão.

Mas o debate aqui não é esse. É mais profundo ainda. O Washington Post anunciou essa semana que irá publicar conteúdo do blog TechCrunch. A CBS comprou uma rede de blogs e videocasts. Há uma maioria cada vez maior crendo que a terceirização de conteúdo será inevitável. E tudo indica que sim, a não ser que os veículos tradicionais de comunicação se fragmentem em diversos grupos sob o mesmo guarda-chuva, com ações focadas em redes sociais específicas, o que é muito improvável, e mesmo assim não acredito que conseguiriam dispor de tantos jornalistas para dar conta. Eu mesmo, em dois outros blogs que participei, já fui chamado para uma parceria liberando o conteúdo para dois dos maiores portais do Brasil.

Enquanto serviços de notícias integrados a redes sociais se multiplicam - muitos vazios, diga-se de passagem, afinal quem aguenta tanta plataforma de rede social? -, os grandes veículos cada vez mais abrem espaço à participação de “jornalistas não-profissionais”. Como vivemos um momento de transição muito significativo, com uma próxima geração já nativa do mundo digital, com outro comportamento frente às mais diferentes mídias, é muito difícil para alguns - ou muitos - jornalistas atuais entenderem que o que interessa é a circulação da notícia, seja em que suporte for, e há como se qualificar para trabalhar com esse novo modus operandi. A música, por exemplo, passou dos discos de cera aos vinis, depois aos CDs, até chegar ao formato digital. Mas não deixou de ser música.

Muito interessante esta análise do Online Journalism Blog mostrando que, por mais que se prometam incontáveis novidades via web, pouco mudou nos sites dos grandes veículos de comunicação portugueses, já que a cultura de participação de fato interativa foi deixada de fora por diversas razões, mas principalmente pela inexistência de uma cultura de inovação focada nas pessoas (audiência), priorizando-se apenas a tecnologia.

Atualizando direto do Observatório de Imprensa.  

01 Comentário sobre 'Somos todos jornalistas?'

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  1. Nadja escreveu,

    Concordo, e o que me entristece é que as faculdades de jornalismo (e publicidade) ainda não viram o pontencial da web. Muitos estão interessados apenas em formar profissionais. Nem os projetos laboratoriais se adaptaram aos novos tempos. Lamentável.

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