Piratas numa boa

Sei que pra quem ouve hoje o Marcelo Nova cantando é estranho como um moleque de 13 anos como eu, lá por 1983, podia adorar ouvir a banda baiana Camisa de Vênus. O que acontecia é que, quando começavam a estourar bandas hoje famosas do pop rock brasileiro, os caras tinham uma postura de fato raivosa. Lembro bem uma fita cassete que um amigo baiano me emprestou certo dia.O Marcelo Nova dizia algo do tipo:
“Você vai ouvir agora um show do Camisa de Vênus gravado num gravador velho que a pareceu por acaso. Rock não é música, é energia. Você pode ouvir, reproduzir, gravar, distribuir o conteúdo dessa fitsem nenhum problema. Ninguém tem os direitos sobre ela.”
Isso pra mim na época soou como “caramba, esse caras são autênticos mesmo!”. Não deu como não fazer esse momento “flashback”, resgatando memórias tão antigas ao ler o post sobre o vídeo “Steal this film 2″. A proposta é mostrar como a “pirataria” foi algo criado pelo desespero das empresas de entretenimento e mídia ao perceberem que estavam perdendo suas minas de ouro.
Relembra inclusive que quando Gutemberg imprimiu as primeiras bíblias numa gráfica muita gente considerou a imprensa algo do demônio, e aristocratas foram contrários por perceberem nela uma ferramenta revolucionária - e eles estavam certos. O memo estaria acontecendo agora com vídeos online.
Que a questão da “pirataria” é muito mais do que enquadrar “foras da lei”, todo mundo já sabe. No Brasil uma enorme quantidade de pessoas passou a ter acesso a filmes e músicas graças s cópias. Além de muita gente que sobrevive com as vendas por todos os lados, há diversos artistas que ganharam a fama graças disseminação de seus cds. Que o modelo vigente estava falido, também não restam muitas dúvidas. O que se tem que buscar é um modelo em que quem cria e produz se sinta recompensado sem ser apenas pela venda direta do produto.
No Brasil há pessoas como o Ronaldo Lemos, do Creative Commons Brasil, há muito tempo discutindo o tema. O lançamento do livro novo de Chris Anderson, Free, com certeza vai colocar lenha na fogueira. Na minha opinião (e de tanta gente), o mais interessante é que, a partir de uma nova visão de negócios, se abram uma miríade de possibilidades criativas e de bons trabalhos em redes sociais, vídeos online, mobilidade, integração de ferramentas com maior interface online/offline e muito mais. O aumento da base de usuários e constante anúncio de novas redes sem fio gratuitas, permitem acreditar num ano de ainda mais novidades do que 2007.
Vale sempre como referência ver previsões como a compilada pelo IDG com diversos profissionais, da BBC e da CNET, entre tantas outras.

