Jornalismo colaborativo

Dia desses um jornalista de Fortaleza me entrevistou sobre o BlogCamp Fortaleza. No meio do papo soltou um “olha, agora quem vai falar não é o jornalista, mas o usuário: eu não acredito em blogs, tenho que consultar outras fontes que tenham credibilidade.Você acredita em blogs?”. Depois do ataque de esquizofrenia do cara, respondi que em alguns confiava tanto ou mais do que no jornal dele. O que eu queria dizer mesmo se não estivesse pagando roaming, já que eu estava no Rio a trabalho, era:
1 - Blogs não falam. São ferramentas que permitem que pessoas se expressem. A pergunta dele é tão estranha quanto “você acredita em telefones?”.

2 - O mesmo vale pra TVs, jornais, rádios, qualquer mídia. Há pessoas que escrevem, outras que editam e umas poucas que decidem a linha editorial de acordo com determinados interesses. Num blog isso tudo pode ser feito por uma pessoa. Ou quantas quiserem.

3 - Há uma quantidade infinita de péssimas fontes em blogs. E em TVs, rádios, jornais, qualquer mídia. Seja por interesse comercial, falta de checagem, sede por furar os outros meios, ou por barrigadas incompetentes mesmo.

4 - Credibilidade não é intrínseco a nada. A confiança se constrói com o tempo da mesma forma com um blog, com um jornal, rádio, TV, amigo, namorada, guarda da esquina, cachorro, nova prancha de surf, seja com quem ou o que for.

5 - Segundo meu pai a única fonte de confiança irrestrita está nas nossas mães (como minha mãe faleceu quando eu era pequeno, ele se inclui na lista como “pãe”). Não quero ser amargo como ele, mas todos sabemos que podemos ser traídos por um amigo, uma namorada, pelo guarda da esquina, por um cachorro, pela prancha nova de surf (que não tem o desempenho esperado ou quebra no pior momento) ou por um repórter conceituado que publica matérias mentirosas no maior jornal do mundo.

6 - Resumindo: pro bem e pro mal são pessoas. E mesmo que nós não confiemos em muita gente, é preciso confiar em algumas para conseguir sobreviver. Entre essas pessoas que a gente confia, algumas publicam em blogs.

Esse papo todo é pra falar da interessantíssima cobertura que Ana Maria Bambrilla tem feito sobre o fechamento da BRA. Sua fonte mais freqüente tem sido o Orkut. Pra quem não sabe Ana Maria Brambilla é, por mérito inquestionável, total top of mind em Jornalismo Colaborativo. Por favor, não deixe uma visão superficial dessa postagem te enganar fazendo crer que Jornalismo Colaborativo seja apenas os blogs.

Leia de novo: essa postagem foi sobre pessoas. Se você quer conhecer um pouco mais sobre Jornalismo Colaborativo, veja alguns exemplos recentes publicados no Libellus, o blog da Ana Maria Brambilla.

3 Comentários sobre 'Jornalismo colaborativo'

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  1. Téo Brito escreveu,

    “Você acredita em blogs?” foi do tipo: “Você acredita em ETs?”

    Não só em blogs, mas em todo meio de comunicação, sempre vai haver por parte de alguns essa desconfiança. O que não podemos deixar é que isso se torne uma falsa verdade entre os usuários que não blogam, algo do tipo: “Blogueiros são mentirosos e sacanas”.

    Abraço.

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