E se um cara armado bate na sua porta?

Em julho nasce meu primeiro filho. Claro que estamos muito felizes. Mesmo assim hoje (dia 29) minha mulher me telefonou super aflita: a moça que trabalha lá em casa disse que um sujeito armado com uma pistola, de camisa preta, distintivo da polícia, teria batido na porta. Por alguma razão ela estava sem a chave no momento, travou da veneziana o seguinte diálogo:

- O Hélcio está? - questionou o cara, sem se identificar.

- Não.

- Ele era jornalista? - o verbo no passado é por si só assustador.

-  Não sei.

- Assim fica difícil, isso é uma investigação policial.

-  Eu não sei, acho que é.

- De que jornal?

- Não sei, do Povo… - ela chutou um jornal local, influenciada pela assinatura que tenho, por fazer parte do conselho de leitores.

O cara se virou e foi embora, com uma mochila nas costas, sumindo numa moto pessoal. Não deixou cartão, telefone, nenhuma forma de contato.

Minha mulher, ao chegar em casa e saber de tudo, se assustou, me ligando em seguida. O acaso garantiu mais um tempero: eu havia esquecido o celular em cima da mesa quando fui almoçar, só retornando uma hora depois, quando ela já começava a imaginar como descrever pro bebê o quanto o pai dele “era legal” - impressão minha, é claro. Mas o fato é que, durante a gravidez, tudo o que menos se recomenda é a exposição a qualquer tipo de stress.

Sem entender nada, liguei para o 190. Se for alguma notificação, embora eu não faça ideia do que possa ser, vou lá colaborar. Meu medo é: “e se não for? Quem é, e o que quer um cara que bate na minha porta armado?”. No 190 orientaram ligar para a delegacia do bairro. Liguei, dei meu endereço, meu nome, não havia nenhuma intimação pra mim. O delegado me sugeriu fazer um BO por constrangimento ilegal. Tudo bem, registar o BO é importante, mas e o cara? Quem é? Vai voltar lá? E o susto que minha mulher, grávida, vai ter? E o que mais pode acontecer vindo de alguém que nem imagino quem seja?

De fato eu estava desesperado, não sabia como agir.

Moro num prédio bem simples, de três andares, tipo um sobradão, uma pousada. Não tem luxo, mas tem umas câmeras que muito me serviram. Em pouco tempo recebi por email do pessoal responsável pela administração imagens do cara em duas câmeras diferentes. Mesmo sem saber do que se tratava, já tinha algo mais concreto em mãos. Mandei o vídeo para uns 10 amigos, já preocupado com o fato de, no percurso entre a agência onde trabalho e a delegacia, ser abordado por alguém pouco confiável.

Resolvi também relatar no Twitter, de forma breve, é lógico, o ocorrido, para publicizar meu problema, já que a maioria dos amigos com quem eu falava, se sentia tão perdido quanto eu, já que o procedimento não parecia a ninguém ser um procedimento padrão de um policial. Várias pessoas se solidarizaram via Twitter. Uma delas foi o Richarley, que, após conversar comigo via MSN, recomendou que eu falasse com o pai dele, professor Adalberto Menescal, um dos principais nomes da Secretaria de Segurança Pública do Ceará.

Assim como o Richarley, o professor Menescal foi de uma atenção incrível, mostrando-se muito preocupado com o ocorrido. Sugeriu que, como eu sou jornalista, ligasse para a assessora de comunicação Angélica Martins, igualmente solícita, prestativa e interessada em colaborar. Angélica foi mais uma a concordar que o comportamento do policial - caso fosse policial - havia sido no mínimo estranho. Na mesma hora ela me passou os contatos do superintendente de polícia civil, Luis Carlos Dantas.

Mais uma ligação, mais uma recepção calorosa. Eu conseguia de um lado o apoio de uma polícia que todos nós sempre quisemos encontrar, infelizmente por um problema causado por um policial que, talvez por inexperiência, se comporte como uma polícia que, em quem tantas vezes, temos dificuldade de confiar. Eu já havia tido contato com o Dantas tanto na minha época como repórter de TV, como no sequestro do meu ex-cunhado, quando ele mostrou-se sempre interessado e disposto, em pouco tempo prendendo os bandidos.

Ele me mandou ir para a sala dele na mesma hora, onde me recebeu com uma simpatia sem fim em meio aos seus tantos afazeres e milhões telefonemas. Assistiu o vídeo várias vezes. Chamou em seguida inúmeros outros policiais para tentarem reconhecer meu visitante indesejado. Finalmente deles um deles reconheceu o sujeito. Ufa, é policial mesmo. “Ainda não acabou, agora temos que saber o que ele foi fazer na sua casa”, explicou o delegado.

Ele mesmo ligou pro cara. A explicação foi a seguinte: de manhã eu tinha ido com outras pessoas aqui da agência fazer uma fotos para compor o layout de uma campanha nossa. O rapaz contou que havia passado o plantão trabalhando num dos bairros mais problemáticos de Fortaleza. Ao nos ver com a câmera, teve a impressão que fingíamos focar em outros objetos, mas que nossa real intenção era fotografá-lo para depois matá-lo.  Achando que éramos traficantes, anotou minha placa e bateu lá em casa. Por sorte não me achou.

How bizarre.

Pelo menos no meio da psicopatia quase generalizada, contei com a incrível solidariedade das pessoas já citadas e de diversos amigos que tentaram ajudar. Agora é até engraçado saber que rolou tanto stress por nada, que um “agente da lei” bateu na minha porta pra assustar minha família porque eu fotografava uma praça . Mais do que tudo, é preocupante. Sei lá, vamos vivendo que vem mais por aí.

Jornal dos blogs

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O “The Printed Blog” não é apenas mais um jornal gratuito. Com uma tiragem de 2,6 mil exemplares, ele tem suas quatro páginas em formato tablóide com conteúdo gerado por 300 diferentes blogueiros, seduzidos pelas possibilidades de receita publicitária. O objetivo é que o foco local seja o grande atrativo para os anunciantes. 15 já estão dentro, garantindo o primeiro número.

Seja lá o que acontecer, é muito interessante ver que a dita mídia “pro mundo inteiro” sirva de alimento para o suporte impresso, dado como morto por muitos, e isso tudo não seja uma experiência, mas uma aposta concreta de mercado. Para conhecer mais sobre o Printed Blog, leia em O Globo.

PS. Nada, nada a ver, mas este artigo da AdAge sobre como cai a audiência de qualquer série de webvídeos vale a leitura.

Simples e muito legal

Caramba, eu adoro stop motion.

Dica do Pedro Marques.

Update: Léo Mamede manda este excelente vídeo de stop motion com grafite. Muito legal.

Cavaco neles

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E que o cara lá de cima abençoe mesmo o Obama. Essa foto é bem simbólica de como os olhos estão voltados para ele. O Obamameter está ligado para cobrar se as promessas serão cumpridas. Nos meios de imprensa, aqui do Brasil inclusive, já se começa a ver aqui e ali um “senso crítico mais aguçado” - ou em outras palavras, já começaram algumas alfinetadas - no lugar da emoção generalizada.

Bem menos popular, o presidente português Cavaco Silva está no YouTube, Flickr e Twitter. Por enquanto a coisa está meio protocolar por lá. O teste vai ser quando o bicho estiver pegando, se a postura é de fato abrir mesmo os canais de comunicação, ou se a abertura restringe-se ao uso das plataformas sociais.O primeiro passo foi dado.

Geyzislane

 

Bom fim de semana.

 

A nova agência de publicidade

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Às vezes a gente tem a impressão que estamos na Lua. Enquanto o mundo inteiro discute novas formas de comunicação, enquanto as pessoas na rua agem de forma diferente, a maioria das agências de publicidade locais continuam fazendo propaganda do século passado. E fazendo mal. Não é à toa que qualquer criativo minimamente inquieto se angustie em produzir tantas cartelas de varejo ou apenas panfletos e anúncios com trocadilhos, neste formato que prioriza a locação de mídia.

Mas como seria um modelo de agência para atender às novas necessidades? O livro cooperativo “La Nueva Agencia” trata exatamente disso. Acabei de receber o link, vá lá e baixe sem custo algum. Mesmo antes de ler, só pelo debate, recomendo a leitura a qualquer pessoa que se interesse por publicidade.

A gigante guerrilheira

Os amigos que trabalham lá reclamam de que as coisas são lentas e tal. Se eles demoram, os demais andam com freio de mão puxado. A forma como o maior grupo de comunicação do país se dedica a web - pra não usar o termo redes sociais - é o maior termômetro de que nesta panela há de fato angu. E do grosso.

Eu já havia decidido escrever este post quando vi o do Blog de Guerrilha, de onde tirei o link acima de um videozinho que certamente vai viralizar. Quem imaginou que um blog faria parte da campanha de divulgação - relacionamento - de uma novela no horário nobre.

Mas eu nem queria ficar em exemplos pontuais. Assista o Fantástico. Mesmo que muitas vezes de forma rudimentar, o programa tem grande parte do seu conteúdo dedicado à participação via web. É o tempo todo, quase ao vivo. Ontem começou o BigBrother, com blog e vídeos na web também, fora os milhares que irão ser postados por “pessoas comuns”. Os caras querem mais: vão meter alguns participantes numa casa de vidro num shopping. Vai ser um tal de foto e vídeo no YouTube que não vai ser mole. Os caras são os donos do maior poder “bélico” e são também guerrilheiros de primeira.

Update: Nem tinha visto. Ontem quando escrevia este post, chegava aqui na 101° Macaco um pacote de incenso enviado pela “poderosa” para divulgar “No Caminho das Índias”. Não é nada, não é nada, é um monte de coisinha.

Keep It Simple

No fim do ano passado o diretor de arte Rodrigo Meireles, atualmente estudando em Barcelona, me mandou o post abaixo. Ele desenvolveu o que mais falta neste blog: um olhar analítico. Com o tempo fui me tornando cada vez mais relapso em relação ao blog, deixando de lado sua função primária, porque, talvez mais até do que compartilhar, o exercício de escrever te obriga a refletir e aprender. Prometo ser um careca mais bonzinho em 2009. Obrigado Rodrigão e feliz 2009 a todos.

Já faz um tempo o Google anunciou sua entrada no mercado de celulares para brigar com o iphone. Apesar de achar o telefone da empresa de Steve Jobs superestimado, não é essa bola que queria levantar. O que parece meio maluco disso tudo é a maneira como todos vão correndo atrás de um do concorrente, procurando apenas melhorar (?) aquilo que o que ele desenvolveu. Isso me faz lembrar um caso também ligado à tecnologia, mas especificamente a de games: o Nintendo Wii. Apesar de não ser uma assunto novo, o conceito por trás do produto é que parece interessante.

Apesar da alardeada a suposta interatividade do console, que já daria bastante pano pra manga nessa discussão, o seu grande diferencial é a maneira como enxergou o mercado. Ao invés de tentar analisar os produtos do concorrentes, a Nintendo foi atrás de analisar pessoas. Não só os consumidores de vídeo game, como todo e qualquer potencial cliente. E assim acabou descobrindo um fato que hoje parece óbvio, mas do qual ninguém parecia ter se dado conta: existe uma multidão de pessoas que não fazem usos de jogos eletrônicos por achar uma atividade muito complexa e muitas vezes anti-social. Feche os olhos e tente imaginar um típico de jogador de Playstation 3 ou Xbox 360. Ok, você pode ter imaginado uma pessoa uma pessoa descolada, cheia de amigos, jogando numa boa. Mas é pouco provável. O Nintendo wii se volta exatamente para as pessoas pra quem não se imaginavam os games antes.

Claro que a Nintendo não é boba nem nada e também tem jogos direcionados para aqueles que acompanham a marca desde os primórdios do bombeiro bigodudo de macacão. Mas ao simplificar a maneira de jogar, a empresa aumentou de maneira estupenda sua base de usuários. Melhor dizendo, revolucionou o conceito de vídeo games, fazendo dele uma ferramenta de socialização, seja entre o vovozinho e o neto ou entre um grupo de amigos.

Houve quem dissesse que era um modismo, que vai passar logo. E está pagando caro por isso. A EA, grande fabricante de jogos, foi uma delas. Gastou tempo e energia fabricando jogos super elaborados para os outros consoles e não botou fé no novo. Agora corre atrás do prejuízo. O fato é que as vendas só aumentam. E com a tal crise, a coisa só tende a melhorar. Em artigo recente a revista The Economist enquanto outras indústrias entram em colapso, o mundo dos games só melhora seus números, chegando a um incremento de 35% com relação a 2007, do qual o console branquinho é responsável por uma boa fatia.

Gráficos de alta definição? Jogos cada vez mais super-elaborados? Já diziam os engenheiros da NASA do projeto Apolo: K.I.S.S.! (keep it simple, stupid). É o amadorismo do youtube, a praticidade do Google e do twitter. São os produtos pensado para os amadores, o grande público muitas vezes desprezado.