Diversos estímulos nos trazem lembranças. Por exemplo: cenas, cheiros, pessoas, músicas, filmes e notícias. Por mais racional que a objetividade do jornalismo possa ser, é pela emoção que a BBC está mostrando o quanto faz parte das nossas vidas. Como a idéia é divulgar as notícias por celular, a pergunta final é “onde você vai estar na próxima vez?”, questionando se você está a fim de abrir mão de mais um marco de sua vida. Muito legal. Mas sem dúvida reforça o debate sobre a paranóia de informação que vivemos hoje em dia. Eu me posiciono do lado dos paranóicos assumidos, cada vez mais suscetível a crises de ansiedade extrema.
É aquela coisa: toda vez que atualizo o RSS fico no dilema entre compartilhar links interessantes com os amigos e não encher o saco de ninguém.
Um fenômeno que acontece com diversos sites se confirma com o jornalismo: o conteúdo é 140% mais visto fora dos sites originais. Outro dado interessante, embora muito preocupante, é o da existência de 400 faculdades de jornalismo no Brasil. É muita gente pagando o que não pode para se formar, é muito mais analfabeto a cada ano com um diploma debaixo do braço. Lembra bem um rapaz do sétimo semestre de uma faculdade - hoje jornalista - que me enviou um email de três linhas cujo conteúdo até hoje não compreendi. Sei somente que era algo sobre um estágio.
A gente sempre tenta olhar tanto para frente que não enxerga o que está na cara. Eu pelo menos adoro o formato de vídeos compostos apenas de fotos e áudio. Algo que já era feito há mais de um século. Enquanto muita gente discute meio que em pânico sobre como os jornalismo será cada vez mais multimídia e blá blá blá, os caras do New York Times, um dos grupos que puxam tantas mudanças, trazem algumas soluções simples e que agregam valor.
Posts pagos? Banners? Widgets? Vídeos? Podcasts? Notícias de primeira mão aos blogueiros? Segmentação? Relacionamento? Métricas?
Estes e outros termos tão falados nos últimos tempos estavam na pauta da primeira reunião do pessoal da agência 101º Macaco com os irmãos e sócios Daniel e Gilberto Soares (Knuttz), da rede EuBlogo, Jurandir Filho do Cinema com Rapadura e Régis Freitas do Sedentário & Hiperativo.
O objetivo foi ser o primeiro encontro de uma parceria permanente com estes e outros blogueiros. Gerar “buzziness” pra todo mundo. Não que o foco da agência seja ser mais uma de mídia social. De forma alguma. A meta é apenas entender comunicação em todas as suas possibilidades, seja em ambiente online ou offline. Acredito que foi muito bom pra todo mundo. Em breve teremos outros.
A moçada que se amarra em Iron Maiden descobriu uma brecha na agenda dos caras na tour brasileira, abriu uma comunidade no Orkut e resolveu ir à luta para trazer o show dos caras para a capital cearense. Além das mas de 7 mil pessoas na comunidade, já há um site com uma simulação de compra de ingressos. A idéia é simples: mostrar aos organizadores que o show é viável.
Isso é um movimento muito legal em todos os sentidos, amarra bem todas as pontas. Quem se amarra na banda pode ver o show, os promotores sentem mais firmeza sabendo da existência de um público disposto a comparecer e a banda estende sua longevidade com a reunião de fãs se mobilizando em torno dela.
O que todo mundo já pensou, já falou, já tentou fazer. Conceitualmente nenhuma revolução. Apenas muito bem feito, funcionando de forma plena, a todo vapor. O conteúdo do site da tour do REM é todo gerado pelos fãs mundo afora, seja em vídeo no YouTube, fotos no Flickr, Twitter, um modelo participativo real onde todos ganham, desde a banda que quer se divulgar às pessoas que gostam da banda e encontram uma quantidade de conteúdo que jamais poderia ser gerado por uma única empresa.
Até onde pode ir a vontade de fãs estarem perto de seus ídolos? O chiclete Trident resolveu por a prova a questão. Acredite se quiser, mas eles estão leiloando um chiclete mascado por Cauã Reymond por 15 minutos. Quem der o maior lance, vai pra farra com o rapaz, repassando a grana paga para uma ONG.
O que você vai fazer com o chiclete depois? Não faço a menor idéia. Quem estiver disposto a dar o maior lance que sabe, não duvido nem que alguém queira conferir se o gosto continua por lá. Talvez seja melhor pensar por outro lado. Pense em ajudar a ONG. Você sai com o garotão e deixa na história de sua vida uma notícia nobre.
Com tantas possibilidades de canais de expressão, mais do que sempre a diferença na web está entre quem faz e os que só observam. O brazuca André Ferreira, que cursa em Portugal um mestrado em comunicação multimídia, está convicto em fazer parte do primeiro time.
Embora tenha um outro projeto, ele também participa do grupo responsável pela série “Carne pra Canhão”. Para começo de conversa, é legal ver que o trabalho é viabilizado pela Sapo Labs. O blog anuncia o começo da série para dia 15. Aqui tem um vídeo de apresentação da série que deixa bem claro que vem coisa boa por aí.
Update: Assista o capítulo zero. Muito, muito legal.
Uma das coisas que mais fascina nisso tudo é o que há de mais simples: a infinita possibilidade de aprendizado. O TED é um evento que pensa comunicação, não se regozija em cima da febre da semana da web. A palestra acima, toda legendada em português, é com o criador de Lost. Aqui você vê outras. Aproveite.
Volta e meia ainda ouço alguém dizer: “faz um viral aí”. A sensação é de deja vu total, a impressão que dá é “este pessoal ainda está nessa?”. Sei não, acho que em vez de mostrar grandes cases, talvez a palavra de ordem seja desglamourizar. Alguém tem que tirar da web esse estigma meio místico, como se estivéssemos tratando de um ambiente onde tudo de prolifera muito fácil a custos baixíssimos. A coisa não é assim.
Antes de tudo é preciso entender que não se trata de um suporte pior ou melhor que os outros. É sim um suporte com peculiaridades muito específicas, que também funcionam com uma mecânica diferente dos outros suportes. Este lenga-lenga todo é pela minha alegria de constatar que, passada a onda inicial da euforia, toda a febre que foi vista nos mais diversos conteúdos e rede sociais, Barack Obama continua dando o mesmo valor à Web depois de ser eleito. Nada pode ser mais viral, gerar mais buzz, do que manter as portas abertas e não mudar de comportamento após a campanha.
Uma estratégia eficiente na Web não depende apenas de uma decisão de marketing. Ela requer uma decisão que possa ter desdobramentos conjunturais, precisa estar na cultura da equipe, senão não funciona. O site change.gov chama os americanos a participarem do processo de transição. Tudo confirmando a transparência e o espírito de mudança que caracterizaram a campanha do presidente eleito. Vamos ver quais os próximos passos. E que eles sirvam para que nossos políticos entendam a Web como algo muito além de um panfleto de campanha.