
Sou um dos milhões pelo mundo que se divertem com os jogos olímpicos. Infelizmente um dos meus esportes favoritos não é muito popular no Brasil, então as transmissões pela TV são escassas. Embora a seleção brasileira de water polo não esteja lá, temos quatro brasileiros: Tony Azevedo (Estados Unidos), Pietro Figlioli (Austrália) e os irmãos Kiko e Felipe Perrone (Espanha), além do prazer que temos de ver grandes jogos, seja lá de que país for.
Há uns três anos criei um blog despretensioso sobre polo aquático que acabou gerando outros blogs muito melhores como o Touca 14, o Water Polo Fluminense e vários outros. A partir daí formamos uma rede saudável de comunicação que gera notícias sobre uma modalidade pouco contemplada pela mídia.
A rede, aliás, virou internacional. Entre diversos blogs estrangeiros, a maior referência é o El Cuervo Water Polo, sem dúvida o melhor blog de polo aquático do mundo, tanto pelo conhecimento do Manel Silvestre, o ex-goleiro e atual treinador, como pela sua habilidade também na edição de vídeos, armazenados num link à parte. Uma videoteca aberta a qualquer pessoa do mundo (ops, em alguns países como a China o link não entra), impensável há alguns anos, só existente hoje graças à boa vontade do Manel e às ferramentas gratuitas de comunicação como blogs e YouTube.
Nestas Olimpíadas, que se propagam como as mais vistas com destaque à Internet, YouTube e NBC estão excluindo todos os vídeos postados pelo Manel. Não há explicação já que a NBC comprou os direitos de transmissão nos Estados Unidos. Eu não moro nos Estados Unidos, nem quero ver pela TV. No Brasil a TV Terra transmite, ficando depois alguns flashes do jogo. Muita gente assistiu pelo Terra, louvável. Outra fonte são os relatos de Ricardo Perrone, ex-jogador e pai de Kiko e Felipe.
A questão é entender a proibição de quem quer colaborar, publicar vídeos com ponto de vista pessoal. Não dá para entender. Vamos ter que esperar o fim das Olimpíadas para assistir os vídeos do Manel. Engraçado que quando o mundo inteiro olha para o mesmo lugar, a tão festejada revolução democrática de mídia vai por água abaixo. Como se vê, democracia de vitrine não é exclusividade dos chineses.