Escritórios 2.0

Quanto mais provinciana for a cidade em que você viver, maior vai ser a necessidade de ostentação por parte dos abastados pra se diferenciar dos demais. Aqui em Fortaleza, por exemplo, a quantidade de caminhonetes e carros utilitários nas ruas é impressionante. Às vezes você pára no sinal com medo tanto dos assaltantes a pé ou de bicicleta, quanto dos tanques de guerra que cercam seu carro.

Pra quem vive nesse cotidiano onde um brilho bem cafona significa status, é interessante ver alguns escritórios de empresas famosas na dita Web 2.0. Até pela natureza do serviço deles, os caras sacam que funcionalidade é o que interessa. E mais: os escritórios têm uma cara de escritório danada!

A fachada do Craiglist radicaliza - pelo próprio craiglist.org percebe-se que estética definitivamente não é uma preocupação deles -, chegando a lembrar um cenário de “Clube da Luta”.

Via Radinho de Pilha.

A mídia na mira

jornalismo.jpg

No final de dezembro recebi, aqui pelos comentários, um convite do autor do blog Mirando na Mídia para que fizesse uma visita por lá. Fiz e gostei. Um olhar bastante crítico atento aos vacilos da imprensa local, como foco especial nos dois principais jornais cearenses.

Como não conheço o autor do blog, respondi com algumas curiosidades. Infelizmente todo mundo que vive há algum tempinho na blogosfera desvairada precisa de informações sobre a procedência do que lê - ops, essa é uma regra geral né? -, para ter o mínimo de parâmetros das intenções que estão por trás de cada iniciativa. Não obtive resposta, deixei para lá.

Hoje s 7h30 da matina recebi uma espécie de newsletter com as manchetes do blog. Vi que o autor está ganhando credibilidade entre os blogs e até jornais cearenses. Mesmo ainda curioso sobre as informações de bastidores que não obtive, acho muito legal a iniciativa.

Sou jornalista, comecei a viver em redações em 1990, e sou obrigado a ratificar que a recorrente piada “jornalista é o único cara que não se forma em nada com autoridade para falar sobre tudo” não chega a ser totalmente equivocada. Já vi os maiores absurdos por parte de profissionais que posam de sérios por aí, e já me vi desesperado ao dar aula para uma figura de sétimo período de faculdade que não se conseguia fazer entender numa frase escrita. Hoje ele, como tantos outros, está diplomado.

Para piorar, os salários pagos em redações são verdadeiras piadas. É impossível que uma pessoa que trabalha sábados, domingos e feriados, se vira para arrumar bicos nos horários de folga que garantam uma renda minimamente digna, possa estudar ou se qualificar de qualquer forma que seja. Não dá, é impossível. O pessoal não tem tempo nem grana.

A tendência inevitável é o comprometimento da qualidade editorial. Ainda mais nos jornais impressos, tidos por muita gente como modelos de negócios esgotados. De fato é complicado imaginar por muito tempo a manutenção de estruturas enormes, com todos os tipos de custos de maquinário, energia, equipe, transporte, papel, tinta, distribuição, um aparato enorme para produzir notícias, em sua maioria velhas, e que tudo isso muitas vezes resulta numa audiência diária menor do que muitos blogs feitos em casa.

Tem muito para acontecer por aí antes de decretarem o tão debatido fim do jornal impresso. Por exemplo: jornais gratuitos aumentam em circulação na Europa. Quem inventar um modelo de negócios para os jornais se revitalizarem vai se dar muito bem. Enquanto isso, é legal que tenha alguém fiscalizando o que as redações produzem. Ah,ele aceita e agradece colaborações.

Só para negros

theroot.jpg

Segmentar cada vez mais. Quem quer vencer na Web não tem muito como fugir da receita. Grandes grupos de mídia cada vez mais vão se transformando em grupos de incontáveis micro-empreitadas. E tem que ser.

Pegue o jornal de sua cidade. A morte de três pessoas na periferia jamais ganhará o espaço editorial da morte de alguém numa área mais nobre - onde se vende mais jornal. Se quatro pessoas morrerem num subúrbio, já vale manchete por ser chacina, pelo valor quantitativo, já que todos continuarão sem nome. Agora pegue uma revista seja lá de que tema for. Conte quantos negros aparecem. Não haverá muitos. Negros e pobres parecem não existir pelo que a mídia nos oferece.

Um veículo online focado na comunidade negra com certeza mostrará notícias que não cabem no grande jornal ou que as revistas omitem. Irá permitir visibilidade para quem tem sido apenas estatística. Pelo menos é nisso que aposta o Washington Post ao lançar o The Root. Entre as atrações colaborativas está uma ferramenta que permite que o usuário possa montar sua árvore genealógica, inclusive com interação direta com linhas de ascendentes criadas por outros usuários.

Vale lembrar que no Brasil temos um produto editorial focado no público negro: a revista Raça. E inúmeros blogs e sites independentes falando das mais diversas periferias.

Viral do Serial Killer

killwithme.jpg

A Ivone me deu a dica, fui conferir e gostei muito do Falando Nisso. Nesse post ele fala sobre um jogo criado pela Sony para lançar o filme Untraceable - Sem Vestígio. O argumento do roteiro do filme é o mesmo do jogo: um cara que mata pessoas, transmite ao vivo pela internet e ninguém consegue rastrear. Quanto mais pessoas se logam, mais rápido as vítimas morrem.

Se você não solucionar o problema no jogo, estará sendo cúmplice nos assassinatos. Tente a sorte. Jogue o Kill with Me. Qualquer coisa vá ao cinema amanhã para saber como o agente do FBI resolveu o problema. Se é que resolveu…

Caramba, esse papo de RSS está me enlouquecendo. A síndrome da ansiedade por notícias é um bicho feio e real. Pior: o HD não guarda mais nada, é muita informação. Eu já tinha visto essa ação no Blog de Guerrilha e simplesmente não me lembrava. Rola um HD externo?

Supermemórias

supermemorias.jpg

Web não serve apenas para olhar para o futuro. Aliás, umas das suas possibilidades mais legais é a sua memória. Não é a toa que tantos grandes jornais disponibilizam suas edições antigas digitalizadas.

O músico e diretor Danilo Carvalho está utilizando a Web para conseguir mais filmes super 8 individuais que contribuam para resgatar a memória coletiva de Fortaleza. Se você tem um, participe. Essa é a proposta do filme Supermemórias. Uma idéia simples que deve resultar num produto final sensacional. Muita gente boa já colaborou.

Dê nota aos jogadores

screenhunter_05-jan-21-1454.jpg

Quando era mais novo, eu chegava em casa depois do Maracanã ansioso por ver o VT do jogo pela TV, os gols no Fantástico e tudo mais. Claro que isso apenas quando meu time ganhava. No dia seguinte abria logo o caderno de esportes pra ler tudo sobre o jogo, principalmente as notas dos jogadores. Muitas vezes, no entanto, a impressão era que o cara que dava as notas tinha visto outro jogo. Dava muita raiva ver uma nota boa para aquele cara a quem você passou 90 minutos xingando por todas as besteiras que fez.

Muito antenado com os conceitos de participação da tal Web 2.0, o O Dia Online permite que você vote na atuação do jogador. Aliás, só você não. As torcidas dos dois times, o jogador, todo mundo que tenha visto o jogo. No final o que prevalece é a média. Não vai ter um maluco qualquer decidindo dentro da redação. O que vale é a voz do povo.

Detalhe importante: as notas saem publicadas no jornal impresso.

Videoconferência

teleconferencia.jpg

Muito boa a dica do excelente blog do Grupo de Jornalismo Online (Gjol) da UFBA, capitaneado pelo professor Marcos Palacios. O Oovoo (o nome soa bem estranho por aqui …) permite videoconferências com até 6 pessoas dividindo a mesma tela. Você ainda pode enviar imagens de vídeo e áudio, e emails com arquivos de até 25 mb.

Fla TV no ar

flamengo1.jpg

O Flamengo resolveu apostar na Web de verdade. O canal do clube na internet foi celebrado junto com a chegada do atacante Diego Tardelli. Se duvidar, foi até o contrário, o jogador é que veio para a festa na aba. A idéia não é apenas abrir um canal de comunicação. É criar um produto para capitalizar com a imensa torcida. Depois do dia 15 de fevereiro o torcedor que quiser desfrutar de todo o conteúdo exclusivo, vai ter que pagar R$ 12 mensais.

Olha a expectativa dos dirigentes, direto do site do Globo Esporte:

As estimativas da diretoria não são nada modestas. Microfone em punho, o vice-presidente de futebol do Flamengo, Kléber Leite, afirmou que espera, pelo menos, meio milhão de assinantes no estágio inicial. Se a previsão for certa, o faturamento será de R$ 6 milhões. Destes, R$ 4,5 mi (equivalente a 75% da renda) iriam para os cofres do clube.

A proposta é “nosso futebol será do tamanho que o torcedor quiser”. É um bom apelo, ainda mais porque se tudo der errado, como de costume no gerenciamento amador dos times cariocas, já se tem em quem colocar a culpa. Os dirigentes inclusive já condicionam novas compras de jogadores e renovações de contrato arrecadação de receita via TV Fla.

PS. Já fui alertado por alguns, como o - ainda bem - sempre ácido Norton, o Grêmio já está no ar na Web há bem mais tempo, e com conteúdo gratuito.

Fiat na Moda

fashiontwitter.jpg

Sobre as eleições norte-americanas, disse aqui que o que tem mais me chamado a atenção não são as raras novidades, mas a utilização intensiva de ferramentas que já caíram no gosto popular. É preciso acabar com essa mania de achar que inovar é sempre fazer o que ninguém nunca fez. Muito mais desafiador criatividade é conseguir fazer sua mensagem circular entre seu target em locais onde ele já se sinta vontade.

A Agência Click está confirmando isso na campanha da Fiat para o São Paulo Fashion Week. O site pretende agregar valores modernosos marca junto ao target mordenoso que curte o evento - e a quem se destina a campanha -, disponibilizando cobertura multimídia, venda de camisetas desenhadas, blogs com especialistas em moda - olha a maior agência digital do Brasil utilizando o bom e velho blogspot aí gente! -, fotos no Flickr e atualização no Twitter de todos os desfiles e tudo o que acontece por lá. Lógico que a página do Twitter segue, entre quase 300 pessoas, a maioria dos donos de grande audiência na web brasileira.

Campanha simples no uso de ferramentas conhecidas, mas forte no conceito, na realização e no conteúdo focado no target, gerando forte potencial viral. Via Jeff Paiva no Radinho de Pilha.

Limpe seu monitor

screenhunter_01-jan-16-0721.jpg

Admito que não sou muito jeitoso. Volta e meia abro o notebook pra uma aula ou apresentação e lá está uma digital enorme na tela. Nunca sei de quem é o dedo, muito menos consigo limpar numa boa. Vi que minha amiga Maísa sofre da mesma falta de habilidade que eu. A dica de solução é boa. Deve seja manjada pra muita gente, afinal é de 2005. O fato é que é uma aplicação de vídeo simples, que funciona muito bem e que continua viralizando por aí.

Próxima »