
No final de dezembro recebi, aqui pelos comentários, um convite do autor do blog Mirando na Mídia para que fizesse uma visita por lá. Fiz e gostei. Um olhar bastante crítico atento aos vacilos da imprensa local, como foco especial nos dois principais jornais cearenses.
Como não conheço o autor do blog, respondi com algumas curiosidades. Infelizmente todo mundo que vive há algum tempinho na blogosfera desvairada precisa de informações sobre a procedência do que lê - ops, essa é uma regra geral né? -, para ter o mínimo de parâmetros das intenções que estão por trás de cada iniciativa. Não obtive resposta, deixei para lá.
Hoje s 7h30 da matina recebi uma espécie de newsletter com as manchetes do blog. Vi que o autor está ganhando credibilidade entre os blogs e até jornais cearenses. Mesmo ainda curioso sobre as informações de bastidores que não obtive, acho muito legal a iniciativa.
Sou jornalista, comecei a viver em redações em 1990, e sou obrigado a ratificar que a recorrente piada “jornalista é o único cara que não se forma em nada com autoridade para falar sobre tudo” não chega a ser totalmente equivocada. Já vi os maiores absurdos por parte de profissionais que posam de sérios por aí, e já me vi desesperado ao dar aula para uma figura de sétimo período de faculdade que não se conseguia fazer entender numa frase escrita. Hoje ele, como tantos outros, está diplomado.
Para piorar, os salários pagos em redações são verdadeiras piadas. É impossível que uma pessoa que trabalha sábados, domingos e feriados, se vira para arrumar bicos nos horários de folga que garantam uma renda minimamente digna, possa estudar ou se qualificar de qualquer forma que seja. Não dá, é impossível. O pessoal não tem tempo nem grana.
A tendência inevitável é o comprometimento da qualidade editorial. Ainda mais nos jornais impressos, tidos por muita gente como modelos de negócios esgotados. De fato é complicado imaginar por muito tempo a manutenção de estruturas enormes, com todos os tipos de custos de maquinário, energia, equipe, transporte, papel, tinta, distribuição, um aparato enorme para produzir notícias, em sua maioria velhas, e que tudo isso muitas vezes resulta numa audiência diária menor do que muitos blogs feitos em casa.
Tem muito para acontecer por aí antes de decretarem o tão debatido fim do jornal impresso. Por exemplo: jornais gratuitos aumentam em circulação na Europa. Quem inventar um modelo de negócios para os jornais se revitalizarem vai se dar muito bem. Enquanto isso, é legal que tenha alguém fiscalizando o que as redações produzem. Ah,ele aceita e agradece colaborações.