Deixem Platão em paz
Hoje entra no ar “A Lenda de Beowulf”. Quem teve a chance de pegar uma pré-estréia se impressionou com o rompimento de mais algumas fronteiras entre o que temos esteticamente concebido como real ou não. Gravado com seres humanos (quero dizer, não é somente uma animação), o filme exibe cenários e personagens surreais em imagens 3D - quem não jurava que isso fosse ultrapassado?
Quem dera que a confusão sobre o que é real ou não estivesse apenas no que os nossos olhos captam. Ela vai muito além do total desconhecimento dos gerentes de marketing, ou das incessantes buscas de pesquisadores geeks. Ela está nas mais simples relações humanas, realizadas hoje em sua plenitude no mundo virtual.
O que se esquece é que nessas redes sociais a voluntariedade continua tendo valor, senão todo o discurso sobre a Web 2.0 cai por água abaixo. Ninguém está simplesmente entrando no reino da fantasia para se refugiar do cotidiano, como muito se teorizou no começo das redes sociais na Web. Uma prova real é a resistência que os membros do Facebook estão tendo ao modelo de propaganda onde, sempre que você faz uma compra online em determinados sites, todos os seus amigos ficam sabendo daquela compra.
O Facebook diz que é apenas uma minoria de pessoas que está reclamando. Talvez seja. Mas eles sabem mais do que ninguém que uma fogueira incendeia uma floresta tanto na “vida real” quanto na Web. Mais forte do que a decisão de governos de proibir a propaganda personalizada, será a migração de membros de uma comunidade que se sentirem traídos. Ainda mais no caso de Facebook, que explodiu pela possibilidade dos inúmeros aplicativos em seu código aberto.
A Microsoft, embora mantenha seu império, cada vez mais tenta se livrar da imagem negativa de monopolista, o que nem sempre é fácil. O Google, mesmo com sua incrível gama de excelentes serviços, há muito perdeu sua aura de empresa cool, hoje nas mãos de outras startups emergentes, e é xingado nos quatro cantos do mundo sendo acusado de invasão de privacidade. O Adsense, é claro, está nesse pacote.Ainda mais quando integrado ao Gmail.
Pra se livrar da mesma acusação, o Facebook já usa, através de terceiros, o antipático argumento:”se você quer privacidade, por que entra numa rede social?”. Isso é estúpido. Participar de uma rede social online em nada mais difere de participar de uma rede social no curso de inglês, no trabalho ou em qualquer outro lugar. A pessoa entra para ter um lugar dentro do seu grupo. Se não gostar, simplesmente sai e procura outro grupo.







