Imagine que você está numa loja e uma voz sussurra a frase acima apenas pra você.
É exatamente assim, com áudio direcionado, que a CourTv está divulgando seu novo programa de mistérios e crimes sem solução. Funciona da seguinte forma: dentro de diversas livrarias de Nova Iorque os leitores que vasculhavam as seções de mistério ouviam vozes dizendo: “Ei, você pode me ouvir, já pensou em assassinato?”.
De acordo com o Boston Globe (em inglês) , o áudio chega até seu ouvido direcionado como um facho de luz. A tecnologia, ainda em teste, já foi utilizada pra sugerir a compra de cereais em supermercados. Leia mais no Blue Bus.
Atenção: esse post vale um convite pro Joost. A primeira pessoa que comentar, ganha.
Você acha que a combinação acima deve ser boa? Alguém deve achar, tanto que a Coca-Cola Blak está no mercado. Até aí tudo bem, todos os produtos têm seus nichos específicos. O guaraná Jesus é amado no Maranhão, gaúchos em média não vivem sem chimarrão e há 40 anos ninguém poderia imaginar que houvesse em São Paulo tantos restaurantes especializados em sushi quanto churrascarias - esse dado vi no Jornal Hoje ano passado.
Pois é.
O problema é que quando um produto novo, focado num nicho específico, como suponho que a Coca-Cola Blak seja num público mais adulto, acima de 30 anos, tem um lançamento de massa, ele se expõe mais ainda ao lado negro do CGM. A sigla em inglês significa Content Generated Media , que nada mais é do que o conteúdo gerado por nós, os usuários comuns de internet.
Veja esse site (”Coca Blak tem gosto de…”) que linka pro vídeo abaixo e pra um monte de gente que completou a frase. A maioria com críticas bem negativas.
E não pára por aí:
Ou o jornalista Anderson Cooper, da CNN, (aqui não tem nada de CGM, apenas a difusão no YouTube e possível viralização fica por conta dos internautas), dizendo no ar não entender o que significa “essência de café” e depois cuspir no chão o primeiro gole.
Depois de dar um impulso incrível cena musical brasileira, permitindo que qualquer banda conectada Internet pudesse mostrar seu trabalho através do TramaVirtual em fotos, vídeos e, lógico, arquivos de áudio, a Trama vai entrar em uma nova grande jogada de geração de conteúdo focada em seu público-alvo.
Um dos maiores desafios da comunicação interativa online é como motivar seu público-alvo a gerar conteúdo. Cases não faltam. O da Doritos no SuperBowl é um dos mais badalados.
Conteúdo gerado pelo consumidor costuma ser apresentado em reuniões como um grande filão, muitas vezes por que se imagina que o consumidor seja um macaquinho que vai gerar o conteúdo que você quer, e quando você quiser. Claro que não é sempre assim, e já teve quem deu com os burros na água. E não é porque as pessoas não queiram gerar conteúdo. Elas querem, apenas não são idiotas a ponto de trabalhar de graça pra sua empresa sem uma boa razão.
Os links a seguir são de opções de plataformas de vídeo-conteúdo gerado por usuários, com fins comerciais ou não. Na maioria dos casos a diferença entre um serviço e outro é muito sutil:
- YouTube – Dispensa apresentações.Vem trazendo novidades legais como canais com chats e upload direto da webcam. Considerando que foi comprado pelo Google, vamos deixar o Google Vídeo por aqui também.
- Videolog - A plataforma brazuca está cada vez mais popular, foi incorporada pelo UOL. Já ouvi algumas reclamações de amigos que não conseguem ver os vídeos. Nunca tive problema algum, aqui eles rodam com excelente qualidade. Seu maior garoto propaganda João Godoy esteve na semana passada no Programa do Jô.
- MySpace – o site de relacionamentos tem nos vídeos também grande atrativo agregador. O Populy é outra rede social muito similar, brasileira, que compartilha vídeos, toda em português e com um belo player.
- Currentv – Al Gore, o cara do aquecimento global, permite que vocês envie conteúdo pro site e escolha qual deve subir pra programação da TV a cabo.
- Kyte TV – tem opções de chat sobre o vídeo e promete total convergência com o celular e distribuição de diferentes mídias como fotos e podcasts. No vídeo de apresentação o cara marreta a televisão do mesmo jeito que o pastor da Universal fez com a santa. Dica via Viu Isso? Muito legal o alerta de Gil Barros de que é a da mesma galera que financia o Joost e outras empreitadas.
- Metacafe – Servido provido de Israel, oferece U$ 5 a cada 1000 visualizações do vídeo que você deu upload. Tem também games e um dispositivo que permite que você baixe os vídeos. O Revver, Guba, Flixya, eefoofe o Break e estão, entre outros, na lista do que oferecem remuneração.
- IFilm – uma interface legal, contratos com empresas como a MTV e bastante conteúdo gerado pelo usuário.
- Daily Motion - Outra interface bem resolvida, considerando o acervo assombroso desses caras. As categorias são bem organizadas, em português de Portugal.
- Vimeo - na lista dos mais populares, permite 250mb de upload por semana.
- Putfile - Um bom índice de popularidade são os links virais que você recebe por email. Antes do Youtube, o Putfile era muito freqüente. O problema era que demorava muito a carregar. Além de vídeos, compartilha fotos.
- MusicPlusTv – YouTube (ato falho de novo…) das bandas de música com todas as características das redes sociais.
-Ustream.TV – Alavancada pela câmera no capacete no Justin.TV, vende o discurso web 2.0 (intrínseco natureza desse modelo de negócio). Ele te pergunta se você é solteiro, casado ou enrolado. Uma rede social em torno dos vídeos.
- Neave TV – coloquei na lista de TVs Online, mas é tão bom e potencialmente aberto que vale a pena ser citado de novo.
- OMGFree- Esse não é de CGM. Sei lá porque ficou de fora da lista de TVs Online. De qualquer forma, pra quem gosta de South Park é um prato cheio. Estranho que o Televysion também tenha ficado de fora, assim como outros que achei aqui… deixa pra lá.
- Participatory Culture- vale conhecer. Um grande projeto de compartilhamento e distribuição de vídeos online.
- Histórias reais- caso de geração de conteúdo estimulada com inteligência.
- Magnify.net - Seja o dono de um site em rede social, customizado, integrados a outros sistemas de vídeos e com RSS feeds. Na mesma linha de crie sua emissora com seus vídeos estão também o ChannelMe TV, o Brightcovee o Ning.
- Soapbox – compartilhamento de vídeos com MSN é uma grande idéia. Abrir a primeira página e ter que, antes de tudo fazer o login, é um saco.
- GabMail - Aqui a proposta é compartilhar vídeos apenas entre amigos. Gere um vídeo da webcam direto pro seu email. O Mailemotion tem a mesma proposta.
A maior parte das dicas acima veio do Gattune!, onde você pode aprender também as melhores formas para converter todos esses vídeos. Com os preços cada vez mais acessíveis das câmeras digitais e nenhuma legislação politiqueira de concessões públicas, nada mais impede você de ser um canal de TV online.
Divirta-se.
PS. O vídeo que ilustra esse post se chama “Confissões de um Emo” e foi assistido quase 1,5 milhão de vezes. É o vídeo brasileiro mais visto no YouTube. Foi produzido com uma câmera fotográfica que grava 40 segundos de imagem de cada vez e postado numa conexão discada.
O conceito de marketing de guerrilha é gerar boca-a-boca, mídia espontânea, sem jamais comprar mídia. A ação da Panamericana já havia sido nota no Blog de Guerrilha e agora está em vídeo um “making of” de sua realização.
A comunicação não mudou. Ela muda o tempo todo. Essa transformação incessante altera totalmente a forma das pessoas se relacionarem e, conseqüentemente, a forma como empresas se relacionam com seus clientes.
Os oleds são mais um capítulo da revolução que não pára nunca. São telas orgânicas com luz própria extremamente finas aplicáveis s mais diversas superfícies, que não precisam de outra fonte de luz pra refletir, nem mesmo de luz de background. Muito provavelmente vão pisar na cova dos monitores CRT - os velhos tubos - e, se alguém duvidar, frear a popularização dos monitores de LCD e, em cada vez menor escala, os de plasma.
Legal? Isso é pouco. Além do custo mais barato os Oleds têm outra vantagem fundamental, já citada anteriormente. Eles são aplicáveis a qualquer superfície. Dessa forma um iogurte poderá “avisar” quando estiver estragado, a cerveja poderá se iluminar e estampar uma bela imagem quando ficar gelada e você ainda poderá trocar a cor do seu vestido quando encontrar com alguém na rua com uma roupa da mesma cor.
Oleds significam processos de industrialização mais baratos, economia mais do que considerável de energia e o fim de qualquer limite para a internet. Para a comunicação, será a possibilidade de conteúdo em absolutamente todo e qualquer lugar. Até onde você suportar tanta informação.
Tenho ouvido de tudo sobre o Joost, reações de amor e ódio. Quando me perguntam o que eu acho, sempre digo que acredito que seja um grande passo pra um novo jeito de assistir TV. Por mais que nessa fase beta a programação seja fraquíssima, a experiência da imagem em tela cheia com alta definição e a mínima interação proporcionada entre os usuários já é algo além e, pelo menos na minha opinião, uma janela aberta pra novas experiências.
Vamos esperar o que os caras vão aprontar. O Kazaa e o Skype são elementos de sobra pra enche-los de crédito. Se você ainda não tem um convite pra fase beta do Joost, acompanhe nosso blog que em breve sai mais um post premiado.
As eleições francesas estão sendo um marco na forma utilizada pelos candidatos para abordar os eleitores e divulgar suas plataformas eleitorais ou para fixar e motivar os que já têm voto decidido. Nunca antes a internet teve tanto peso estratégico, e dificilmente daqui pra frente essa escala não será cada vez maior.
Tanto Sarkozy quanto Ségolène Royal têm trabalhado não apenas com sites repletos de conteúdos focados, como motivavam a criação de blogs e sites a favor de suas candidaturas. Royal venceu nesse quesito, com 559 sites a seu favor, enquanto o candidato do governo teve 278. Segundo o “Le Monde” , esses números não contabilizam os blogs.
E não pára por aí. As estratégias são variadas. Na reta final Royal disparou um mailing com um vídeo. Imagine o poder de uma comunicação dessas no final da campanha, podendo ser visto do computador ou do celular, ser replicado para outras pessoas, ganhar espaço na programação num país onde a IPTV tem grande força. A imprensa também abusou do uso de conteúdo gerado pelo usuário, como pode ser visto aqui.
As próximas eleições americanas de 2008 deverão trazer uma nova reviravolta na utilização de conteúdo via web. Hilary e Obama são exemplos de que ano que vem, quando a campanha começar de verdade, vai ser briga de cachorro de grande. Antes disso, no entanto, vamos ver o que acontece no segundo turno francês.
Atenção, quem mandar o primeiro comentário e deixar email fica com o segundo convite pro Joost. Depois tem mais.
No distante ano de 2006 várias empresas de mídia como CNN, BBC, Reuters e Yahoo (há muito tempo o Yahoo é também uma empresa de mídia) criaram canais para que os usuários cumprissem a função de repórteres e fossem inclusive remunerados pelo serviço.
Vamos com calma pra entender o que tem de tão significativo nessa estratégia.
O MySpace é um dos sites mais acessados do planeta. Por outro lado a média de tempo dedicada cada página do site é mínima. A equação é: como fazer essa audiência já conquistada ter uma participação maior, dedicar mais tempo ao MySpace e torna-lo ainda mais interessante comercialmente?
Resposta: conteúdo que gere mais envolvimento do usuário.
É aí que entra o talento visionário de Murdoch, filho de um jornaleiro que hoje possui mais de 750 empresas em mais de 50 países mundo afora. Segundo a Reuters, a idéia do MySpace News é ser uma conjunção entre o Google News e o Digg, ou seja, um diretório de notícias atualizado onde quem definirá as manchetes, as reportagens mais relevantes, será o próprio usuário do MySpace.
O que eles ganham com isso? O usuário que todo dia vai lá ver seu perfil e falar com os amigos, agora não precisará mais sair do MySpace pra ler notícias. Além disso, dentro do tema que o interesse, ele va alavancar os assuntos mais relevantes e com certeza motivar os debates que mais interesse a ele e ao grupo que esteja dentro do mesmo nicho de afinidades.
A meta do MySpace com essa mudança é atingir a média de 100 milhões visitantes únicos dentro do MySpaceNews, com um tempo de permanência bem maior, atrair mais anunciantes e, com a medida, se reforçar dentro do mercado de entretenimento digital e gerar uma receita de mais de U$ 500 milhões ainda este ano.
Não, não é piada, é isso mesmo. Aliás, o negócio é super-sério. Tem muita gente não apenas monitorando a viagem de 11 tartarugas-de-couro fêmeas que saíram da Costa Rica na segunda-feira em sua viagem anual com destino a Galápagos, como as apostas estão altas pra saber qual delas chega primeiro.
Mais uma “maluquice” de internautas desocupados? Que nada, pelo contrário, uma bela estratégia de conteúdo mobilizando muita gente que não daria a mínima pras tartaruguinhas, gerando ainda bastante mídia espontânea. Pelo site você pode conhecer profundamente as características das concorrentes, todas devidamente patrocinadas, e acompanhar de perto suas trajetórias.
Convenhamos que eles arrumaram uma forma muito simpática de dizer ao mundo (e conseguirem ser ouvidos) que a espécie corre sério risco de extinção, numa época em que ursos polares e tantos outras espécies vivem o mesmo triste drama, e que nós mesmos começamos pensar com mais cuidado sobre o nosso futuro.