Novo desafio, sem abandonar os de sempre

Em 2009 me dediquei à 101 Macaco - se está curioso em entender o nome da agência, veja o vídeo acima. Minha participação lá surgiu de uma forma inesperada. Depois de uma entrevista de TV, tive uma conversa com o Andrey Ohama. No dia seguinte estava lá.

Foi um ano de muito aprendizado. Muito mesmo, sem balela. Tenho incontáveis lembranças legais, destacando, entre os jobs, o Homem Perfeito, trabalho que nos colocou entre as agências grandes da América Latina.

Mas não estou falando apenas de trabalho. Tenho a maior admiração pelo Andrey. O cara está buscando um modelo que seja melhor para ele, pros sócios, funcionários e clientes. Parece clichê, mas ele se arrisca de verdade, não apenas fala. É uma diferença enorme, uma coragem que poucos têm. Pra isso conta com Gabi, Claudio, Junior, Madsen, Ana, Pedro, Lucirene, Roger, Willer e Clecil, com braços estendidos por todos os lados, em incontáveis parcerias de trabalho. Uma turma danada, buscando sempre reinventar a rotina.

Por algum tempo, me afastarei deste tão animado dia a dia. Não abandonei meu galho, estou apenas em outros saltos.

Juntei uma equipe de primeira para tocar as mídias sociais do senador Tasso Jereissati. Estamos ainda elaborando estratégias. Goste-se ou não do senador, seu trabalho é vasto, tanto no governo do estado quanto no senado, há muito do que se falar. O que posso garantir de antemão é que nosso objetivo é o resultado pelo trabalho de formiguinha, invisível em muitos momentos. Não focaremos em hype ou ações criativosas. Queremos ver as pessoas conversando, se interessando pelo debate para fazer a melhor escolha.

Como disse Scott Goodstein na Campus Party, iremos arriscar. Com certeza, iremos arriscar. Primeiro porque o trabalho de mídias sociais em política no Brasil precisa disso. Estamos todos tateando. Vamos usar o que aprendemos em nossas outras experiências, rever referências, testar ferramentas, plataformas, tudo que possa gerar relacionamento, conversações. Resumindo, nosso objetivo é que a campanha não chegue até você por nós, mas por um argumento enviado por alguém que você conhece, por uma nova forma mais aberta e direta de se relacionar com o eleitorado. E nestas conversas, é claro, estão as críticas, desde que feitas com educação, sem ofensas gratuitas.

Aliás, sendo bem sincero, torço para que as mídias sociais entrem de vez neste campo não apenas como instrumento de campanha, mas principalmente como de gestão de mandato, gerando uma forma de fazer política muito mais transparente e evoluída, inclusive por parte dos eleitores, hoje tão divididos entre o descaso ou posições maniqueístas de amor e ódio absoluto a determinados personagens. O debate pode ser muito mais rico. Vamos caminhando, este é um desafio grande, que deve ser de todos nós.

Audiência absoluta não é tudo que você precisa

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No ano passado se falou muito sobre a #ulrburra do site do governo do estado. Entre tantos excelentes posts, este do @silveira resume bem tudo o que ela tem de ruim. Ela continua aí, solenemente ruim. O debate é válido, não para criticar o governo. Este não é um blog com pretensões de debate político, nem será aceito nenhum comentário neste sentido com acusações de quem quer que seja. O foco aqui é levantar debates sobre comunicação, sobretudo dentro do que se convencionou chamar de “novas mídias”, o que nós todos ainda estamos no início do aprendizado, que se faz também através de erros.

Quero, a partir da #urlburra e de umas lembranças soltas, refletir se a gente já não parte de um equívoco no ponto de partida dos projetos. Aliás, sendo mais preciso, no que é mais difícil para todos nós, não nativos digitais: na cultura. Cobrados pelos clientes acostumados às métricas das ditas mídias tradicionais, tem muita gente fazendo de tudo para ver números crescendo a qualquer custo. Fazendo inclusive mal aos desavisados clientes,  que sorriem satisfeitos sem perceber que suas metas mal elaboradas podem enterrar seu próprio negócio.

Um clique a mais?

Questionado sobre a #urlburra, em recente evento, o governador Cid Gomes, entusiasta inquestionável de tecnologia, disse que tratava-se apenas de um clique a mais. Pro usuário é mais que isso. Na hora que vi a declaração me vieram à cabeça pessoas que trabalham com e-commerce, e se desesperam ao ver que seus clientes param em determinada tela, ficam a um clique de converter a compra. Ou então a galera que gerencia banners em portais e fica louco por mais cliques, numa pressão desigual, já que em nenhuma outra mídia se exige tal tipo de interação plena - como prova de resultado -, além da exibição de marca - e cá entre nós, em nenhum outro suporte existe uma exibição com tão insignificativo desvio de atenção.

Serviço zero e morte o hipertexto

Certamente o cara que decidiu pela #urlburra fez isso para se livrar da pressão pela audiência, inflando as estatísticas de sua página inicial, evidenciando aos seus clientes que a visitação cresceu de forma exponencial. Como muito bem definiu @marioaragao, é um pedágio.gov .Há pelo menos dois erros muito graves. O primeiro é que um website – seja qual for, mas ainda mais sendo de governo - de serviço público tem por obrigação facilitar a vida do cidadão. Se ele cria uma etapa a mais, priorizando uma métrica viciada em detrimento de facilitar a vida do usuário, ele perde sentido. O foco não deveria estar na audiência amorfa, mas em cada pessoa.

Outro ponto é uma inexplicável tentativa de homicídio do hipertexto, já que não como linkar nada para um permalink interno. Em outras palavras, significa muito menos audiência qualificada, que de fato estaria interessada no conteúdo. Toda a idéia de rede vai por água abaixo, fazendo da página uma ilha isolada num oceano sem fim de informação. O pagerank também vai para as cucuias, como explica o @gabsramalho. Sem contar que querer enganar o Google nem sempre é o melhor caminho e que, em termos de usabilidade, é um suicídio declarado.

Audiência a todo custo

Dia desses um amigo me contou uma historinha interessante, que você deve conhecer parecida – ou igual. Determinado cliente havia estabelecido uma meta X de audiência para um website em um número Y de meses. Chegando ao fim o prazo definido pelos patrões, o Analytcs registrava resultados muito inferiores. Há poucos dias da data-limite, no entanto, algo mudou. Dezenas de milhares de pessoas passaram a visitar o tal endereço. O amigo ficou curioso com tal reviravolta, checou com o Analytcs de onde vinha tanta gente repentinamente. Descobriu um banner num site pornográfico, prometendo diabruras impublicáveis a quem clicasse nele.

O amigo, então estagiário, ficou espantado ao ver o cliente morto de feliz com o resultado. De fato aquela quantidade de pessoas estipulada por ele – sabe-se lá em quais parâmetros – esteve no site. Baseado num conceito de audiência de mídia tradicional, o problema havia sido resolvido. Não interessa que aquelas milhares de pessoas tenham ficado fulas da vida ao não encontrarem o conteúdo desejado, não fossem público-alvo, possivelmente nem falassem português, enfim, estabelecia-se ali um case de uma enorme não-comunicação.

Produção Industrial

Entre os diversos equívocos pela audiência, está a falsa crença que se deve gerar uma quantidade incessante de conteúdo para ser mais lido. Nem sempre é assim. Quantidade não é sinônimo de relevância. Há diversos fatores aí. O primeiro a ser avaliado é a natureza do seu conteúdo, aliada aos hábitos do seu target. Muitas vezes a produção exagerada de conteúdo gera desgaste. Eu mesmo já cancelei assinaturas de RSS pela quantidade absurda de atualizações, intuitivamente averiguando que uma porcentagem reduzida era de fato de meu interesse. Estudando seus relatórios de estatísticas, você conhecerá melhor quem está do outro lado, quais seus hábitos, temas preferidos, horas de consulta.

Hora de rever os conceitos

Na mesma linha seguem scripts pra Twitter e outras malandragens pra catapultar audiência. Fica a pergunta: a quem interessa esta audiência a todo custo? O cliente se alegra ignorando o sumiço no Google, as taxas de rejeição altíssimas e tempo de permanência ínfimos.

Vamos ressuscitar questões debatidas há anos. Como comparar o envolvimento de um usuário, por exemplo, que assiste um vídeo de dois minutos no seu site, participa de uma promoção e ainda retwita uma notícia sua, em relação a três para-quedistas que por lá aterrissam e fogem em segundos?

Ótimo, que venham os para-quedistas, nos preparemos para que eles se sintam em casa. Mas, muito mais, se há tanto tempo se fala em conceitos como engajamento, usabilidade, sociedade em rede e colaborativismo, já está na hora de se reavaliar as metas buscando uma relação mais perene, intrínseca, que permita a difusão de nossa mensagem através de pessoas de fato interessadas em nosso conteúdo. Isto é muito, mas muito mais consistente do que a busca insana, a todo custo, por mais views ou followers. Aliás, por números, não pessoas. As varíaveis de mensuração, se avaliadas em conjunto, funcionam muito melhor do que isoladamente, como mostra, por exemplo, este post.

Vamos buscar o caminho juntos, sempre lembrando que a web, como todo meio, tem suas peculiaridades. E elas não devem ser respeitadas apenas em discurso.

Internet piora escrita de jovens?

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Nos últimos dias ouvi esta questão umas três vezes. Por coincidência, recebi e retuitei hoje uma pesquisa britânica que sugere que jovens que utilizam redes sociais através da internet têm mais facilidade de escrever do que os que os que não utilizam. A questão é polêmica. A filósofa Marilena Chauí não vê com bons olhos a relação entre internet e escrita, enquanto que o poeta Antonio Risério, um dos responsáveis pelo Museu da Língua Portuguesa, discorda.

Como tenho interesse em educação, e especialmente em novas tecnologias, faço algumas considerações. Por favor, elas não têm nenhuma pretensão a serem verdades absolutas, são apenas observações rápidas, opiniões pessoais. Concorde ou discorde à vontade:

1) Antes, a leitura

Antes de pensar em escrever, temos que ter o hábito de ler. É preciso o exemplo em casa. É fundamental que o jovem conviva com pessoas com este hábito, que os professores gostem de ler.

Soa radical demais, sei disso, no entanto, vejo as escolas como as maiores responsáveis por tão pouca gente gostar de ler. Quando você tem 10 anos, do nada, descontextualizado, eles te enfiam garganta abaixo um clássico qualquer.  O aluno lê pra se livrar e conseguir uma boa nota. Pensa: se este é o bom, Deus me livre do resto. Assim passa a ser a rotina, livros viram inimigos.

Nossa escola se baseia em “nãos”. Tem boas notas quem responde da forma combinada. Criatividade é algo fora do padrão. Já fiz um post sobre isto, sugerindo os vídeos do Ken Robinson. Resumindo: professores que não  gostam de ler, não são capazes de despertar este prazer nos jovens. Infelizmente, eles ainda são muitos.

2) Formação dos professores

As faculdades de Pedagogia e Educação se preocupam mais em replicar meta-estudos sobre seus teóricos do que tirar as salas de aula do imenso vácuo que vivem em relação aos alunos. Leia mais aqui ou caminhos neste blog sobre educação.

 3) Hipertexto

Uma das mudanças mais  marcantes do texto online é o hipertexto. Ele, na verdade, sempre existiu. Se você encontra notas do autor num livro, poderia ir a uma biblioteca para encontrar as fontes citadas e se aprofundar. O problema é de tempo e espaço. Na internet é muito mais rápido.

4) Vc acha?

Existem pesquisas na Internet para provar que sim ou não qualquer coisa. Este estudo irlandês disse que SMS prejudica a escrita. Neste fórum as opiniões se dividem.

O maior problema, pelo que vi, seria um temor de que o costume de abreviar palavras poderia gerar um suposto vício de linguagem. Acredito que se preocupem também que a retro-alimentação destes textos informais, de uma efemeridade absoluta, causaria uma limitação qualitativa nos novos textos.

5) Enfim, meu palpite

Primeiro acho que esta discussão nasce velha. É de uma geração em crise sem saber como lidar com a transição que vivemos. Quando isto acontece, a tendência é falar como nossos avós, idealizar o passado com um “no meu tempo era diferente”. É uma boa forma de se enganar, quando a nostalgia nos faz acreditar que tudo foi melhor.

No Brasil se lê muito pouco desde sempre. Mesmo entre as pessoas com acesso à melhor educação formal, quase não se lê. O nível dos textos sempre foi baixíssimo. Quem já teve experiência de corrigir redações de estudantes ou textos de diplomados pré-internet, sabe muito bem disso. E não estou falando nem de ortografia ou gramática, mas da construção básica de um raciocínio que se faça minimamente compreensível.

Como a metodologia das aulas não muda desde o século XIX (a única evolução deve ter sido o fim da palmatória), tenha certeza que os garotos que jogam hoje games ultra-realistas, navegam por caminhos sem fim pela Internet, acham a escola tão chata quanto achei. Muitos deles, inclusive, devem ser como eu: pensam apenas em sair dali pra jogar bola. Raros foram os professores que admirei, que me despertaram alguma curiosidade, vontade de saber.

O mundo digital pra estas crianças é o mundo real. Elas não fazem esta distinção que fazemos. Nos anos 70 fui criado em ambiente 100% urbano, no mesmo “não-espaço” das crianças de hoje. Na adolescência tive Atari, joguei no hoje patético TK 85. Eu me sentia um rato de laboratório ouvindo este mesmíssimo discurso de hoje em relação às crianças do futuro. Assim como eu, mesmo todas estas informações acessíveis, os meninos e meninas de hoje serão submetidos às mesmas metodologias de ensino a que foi submetido meu pai - nascido em 1938. Se existe algo novo, é a mais, está fora da escola.

Aliás, vou mais longe: Olavo Bilac em 1904 já se espantava com os avanços da tecnologia e como elas poderiam acabar com os livros. Desde sempre o ser humano conta histórias, seja lá em que suporte for. Eu, por otimismo, tendo a seguir a linha de pensamento deste professor. Sem dúvida hoje qualquer jovem se expressa muito mais por texto (seja SMS, email, blogs ou redes sociais) do que antigamente. Faz parte da rotina voluntária deles.  Não consigo ver isso como algo ruim, rotular como sendo este o problema.

Já que temos tantas mudanças proporcionadas pelas novas tecnologias na forma de se relacionar e comunicar, acredito que o grande desafio seja aprender como a escola pode utilizar destas ferramentas para dar o salto qualitativo desejado. Elas não são a salvação de nada (pra isso é preciso um projeto bem maior), somente acredito que poderia ser uma ferramente útil. Já tem muita gente caminhando neste sentido.

Virtual é o escambau

Você assistiu Minority Report? Prever crimes ainda não é possível, já a interação que Tom Cruise faz com sua “memória artificial” está bem próxima. Dispays interativos conhecemos vários, como os já popularizados em celulares ou uma interação mais profunda com objetos do que a da Microsoft Surface.

O SextoSentido (Sixthsense) vai além disso. Primeiro ele transforma mouse e teclados em peças inúteis. Ele faz dos teus dedos a ponte entre o mundo dos bits e dos átomos - como diria Negroponte. O primeiro grande salto em relação ao Surface é que seu corpo, um objeto, qualquer coisa é uma interface. Através dos dispositivos dos seus dedos, você pode tanto desenhar no computador (sem precisar tocar) ou captar uma imagem externa como em qualquer câmera fotográfica, e jogar no computador.

Aliás, com um tráfego tão fluido entre bits e átomos, não há como não ver cada vez mais computadores como nossos HDs externos, “memórias artificiais”, do que qualquer outra coisa. E fico mais confuso. Se ainda estamos longe, bem longe na minha opinião, de termos padrões satisfatórios do que se habituou chamar de mídias sociais, imagine com esta profusão absoluta de interfaces em nossas vidas?

Recomendo fortemente que você assista estes vídeos. Como dizem nos vídeos, Pranav Mistry é um gênio incontestável, envolvido em projetos incríveis. O melhor que eu faço depois de ver isto tudo é ir tomar uma cerveja pra relaxar, pra tentar entender alguma coisa.

O “diabo” das mídias sociais

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Ontem no Twitter vi o comentário de que tem agência pernambucana pagando R$ 200,00 para analistas de mídias sociais. Se isto existe, acho que é um retrato bem fiel de toda uma situação e, mais do que apenas reclamar ou pensar na criação de um sindicato, deveria nos fazer refletir:

1) Boca a boca

As pessoas desde sempre falaram sobre o que as interessa. Não há novidade aí. Com a internet, a divulgação por nichos de interesse tem tudo pra ser potencializada e acelerada pela possibilidade de registro do que é dito em canais compartilhados, rompendo limitações geográficas e de tempo.

2) Mídias sociais

O Kenzo Kimura dia desses me perguntou se todo mundo era analista de mídias sociais. Foi ótima a provocação.

Eu acho excelente todo este clima de euforia, que me envolve também, mas se a gente reduzir um trabalho que deveria ser estratégico simplesmente a gerenciar perfis de Orkut, Twitter e Facebook, entre outros, estaremos esvaziando de importância este profissional.

3) Não vou me expor

Dia desses numa conversa de prospecção, o (então) possível cliente perguntou pelo “diabo” das mídias sociais. Interrompeu a explicação no meio, depois disse: “Não é isso que eu preciso, não vou me expor, o que eu quero é vetar quem fala mal da minha empresa”. O único caminho que conheço para isso é através da Justiça. Se muita gente falar mal, ele processa todo mundo, depois avalia o resultado das medidas tomadas.

As pessoas estão falando o tempo todo. Há duas opções: ficar fora ou participar da conversa. Participar significa começar um relacionamento, o que será mantido com tempo e atenção real. Não é fácil, não tem receita de bolo.

Querer impor ou enganar as pessoas, será um tiro no pé.

4) Pra que falar com pouca gente?

Grandes empresas mundo afora estão brigando pra entrar na conversa, e cada vez mais em nichos.  Uma primeira mudança cultural na forma de fazer comunicação é deixarmos de pensar em falar com o máximo de pessoas possível de uma só vez. Nosso desafio, de novo, será motivar conversas. Pra isso, precisamos oferecer algo relevante pra chamar a atenção destas pessoas.

5)  Tem um modelo pronto?

Como já vimos no item passado, não há como querer replicar uma visão de comunicação tradicional para meio digital porque a chance de não funcionar é bem grande. Não existe um modelo fechado. Estratégia, ferramentas, tudo vai depender de cada campanha, sempre visando gerar o “velho” boca a boca.

6) O resultado é garantido?

Nenhuma campanha sai de uma agência com resultado garantido.

No caso específico das mídias sociais, estamos ameaçando engatinhar ainda. É um aprendizado. O animador disso é que as possibilidades de formatos, narrativas, integrações, seja do que for, são incalculáveis. E as métricas, bem mais palpáveis.

7) Faço só mídia sociais então?

O grande desafio é o mesmo de sempre: a ideia. Orlando Mota definiu bem no seu artigo para o jornal O Povo.

De acordo com o caso, temos que pensar em como integrar tudo da melhor forma, sem considerar o digital um “apêndice”. Mesmo apenas em ambiente digital, a partir de uma boa ideia, dá pra fazer diversas integrações, com uma noção de experiência e proximidade muito mais claras para o consumidor.

Ontem “tuitei” um texto do Alexandre Peralta, da PeraltaStrawberryFrog, resumindo: “esta é a nova mensagem, não importa qual seja a mídia”.

8 ) Minha agência faz isso?

Há campanhas de mídias sociais com investimentos muito baixos e ótimo resultado pros clientes, como esta da Ikea. Para um cenário como o nosso, em que os orçamentos costumam ser apertadíssimos, como a agência faz pra ganhar dinheiro com isso? Esta pergunta parte da premissa que ações como essa seriam supostamente feitas se sobrasse alguma grana. Como não sobra…

Nós, aqui da 101° Macaco, temos tentado com algum êxito, como você pode ver aqui. Tem mais gente tentando, normalmente quem tem uma estrutura menor, e já está com foco em digital. Claro que o retorno financeiro imediato é bem menor do que campanhas de mídia tradicional.

Acredito que as maiores agências locais em breve pensarão suas campanhas de forma integrada, já que a entrada do mundo digital significa expandir, sem de forma alguma abrir mão do atual modelo de negócios.

9) Só gringo que faz?

Este item 9 não estava previsto. Como eu estava limpando o RSS, e resolvi escrever o post a partir dos links, ficaram só links gringos, tirando o da 101° Macaco. Só pra vacinar, dois links a mais de cases brazucas: Postos Ale e Rede Globo. Ah, e pra quem disser que são clientes grandes, aí é que está o maior engano. Por uma causa comum, até de graça o pessoal se mobiliza.

O “diabo” das mídias sociais, com desculpa da repetição, está rolando o tempo todo.

A rede é nossa

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Somos responsáveis por ela. Precisamos tomar conta pra que não se deteriore, pra que ela seja cada vez mais um meio de uso e benefício público.

Se o Ministério da Justiça abriu à participação, até o dia 17 (é, está desde outubro, perdemos tempo, mas ele ainda existe), na discussão sobre o marco regulatório, e isso tem diretamente a ver com nossas vidas, de nossos amigos e familiares, por que iríamos ficar de fora? Hoje teremos um primeiro encontro em Fortaleza, muito mais no sentido de criar dúvidas do que respostas. Veja a programação, e compareça.

É comum entre nós o hábito de reclamar e lamentar muito, mas agir pouco. A hora é de tentar nos organizar, fortalecer nossa rede de forma ativa, sem panfletarismo nem partidarismo. Inclusive, com o exercício diário de conviver com o contraditório, sob o risco da rede se desfazer em diversas linhas desconectadas.

O debate jurídico é complicado para nós, leigos, como bem mostra esta ótima entrevista com Omar Kaminski enviada pelo @Gvale hoje no Twitter. Eu mesmo tentei ler alguns projetos de lei, e, admito, não foi fácil. Sugiro a leitura por tópicos, como, aqui, por exemplo. Mas, novamente, se diz respeito às nossas vidas, temos que aprender a lidar de forma produtiva com este contexto.

O assunto diz respeito a quem trabalha em qualquer área, a quem utilize emails, ou redes sociais. A atual edição (14) da revista Proxxima (leitura liberada) tem uma matéria grande sobre regulamentação - mais focada em comunicação digital - e lista projetos de lei sobre práticas em ambiente digital.

Tem bastante coisa pra aprender. Vamos juntos. E por que não uma cervejinha depois? Como disse a @marliamaloca , depois da #segundasemlei , é a vez da #quartapralei .

Precisamos debater cultura digital

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Se fosse pela velocidade com que os assuntos se atropelam no Twitter, o papo sobre o #freeemilio poderia ter acabado (veja como o assunto cruzou fronteiras). Seria uma pena. Perderíamos uma chance excelente de discutir cultura digital.

Desde que o assunto saiu no G1 a repercussão tem sido enorme, todo mundo já sabe de trás pra frente o que aconteceu.

O que eu lamento é que a conversa tenha se mantido superficial demais. Temos por hábito querer julgar, definir pela primeira “lógica” aparente que pintar pelos nossos olhos, dar nosso veredicto pessoal, e pular pra outro assunto.

Eu mesmo fiz assim, no primeiro momento questionei a decisão judicial, o que foi um equívoco meu. Conforme todos íamos entendendo melhor a situação (falamos aqui de algumas horas), dividiram-se dois grupos, de forma maniqueísta, a favor ou contra o Emílio, e ponto final. Vejo duas questões: uma, que é a do Emílio condenado, que comento no item 4; e a outra, que é a oportunidade para debatermos mais sobre cultura digital e seus efeitos em nossas vidas.

Repito que, na minha opinião, a motivação do processo evidencia como o assunto é urgente. Tudo que se refere à cultura digital é novo, novo demais, para que alguém tenha certeza sobre seja lá o que for. Por favor, não se apresse em dizer que difamação é difamação em qualquer lugar. Sabemos disso, por isso é fundamental que, dentro dessa nova dinâmica de comunicação, definamos como garantir nossos direitos e quais são nossas obrigações.

Pra ser a favor ou contra o marco civil, a lei Azeredo, ou seja lá o que for, pra poder colaborar, participar, propor mudanças, temos que conhecer com profundidade, saber os pros e contras. Vamos a alguns pontos, que, gostaria, você tivesse paciência de ler para refletir:

1)  Publicação do comentário

Não quero tripudiar em cima do advogado da freira, nem fazer galhofa do caso, mas olha que interessante.

Na época do imbróglio, o blog do Emílio registrava cerca de 500 e 800 visitantes únicos diários. Como todos nós sabemos, quando entramos em qualquer blog, não visualizamos os comentários. Para chegar até eles, precisamos dar um clique a mais, o que só costuma ser feito por quem vai escrever outro comentário, ou seja, uma parcela mínima, indefinida, de leitores. Quem trabalha com internet, sabe a enorme distância que é um clique a mais.

Esta semana o advogado mostrou o comentário – nas páginas da ação movida por ele - às câmeras da Rede Globo. Isto é um tipo de moderação. Ele escolheu permitir que o comentário fosse veiculado pela maior emissora brasileira. A única diferença em relação ao Emílio é que ele conseguiu uma audiência muito maior para o comentário. O Bom Dia Brasil é um dos programas jornalísticos brasileiros de maior credibilidade, audiência bastante qualificada, e o player do vídeo está disponível no site da Globo.

Para não sofrer nenhum processo, te digo que o vídeo está aqui. Basta dar uma pausa aos 57 segundos para ler. Eu não mostrei o comentário, no entanto mostrei o caminho. Posso ser processado? O advogado exibiu o comentário às câmeras. Será processado? Na Globo, alguém editou a matéria, que é outra forma de moderação, e resolveu veicular o comentário. A Globo será processada?

2)  Moderação do comentário

Como vimos, se você enfim conseguiu ler o tal comentário, é porque, além do Emílio, ele passou também pela moderação do advogado, da Globo, e, se foi por aqui, também minha.

E aí, te pergunto: o comentário era tão ofensivo quanto você imaginava? É menos? É pior?

Como eu disse em artigo no jornal O Povo, blogs são, em princípio, fóruns livres. Ao contrário dos tradicionais veículos onde a informação é unilateral, o que faz a riqueza dos blogs é a comunidade que se cria e mantém em torno da publicação.

Os comentaristas são também geradores de conteúdo, porque a partir do que eles escrevem, podem surgir debates, novas postagens. É o motor da comunidade. Para que esta comunidade siga saudável, com suas semelhanças e diferenças, costuma-se moderar spams e mensagens em geral que incitem aberrações como pedofilia ou qualquer tipo de discriminação. Vetar opiniões divergentes é matar a comunidade.

Voltamos ao item 1. Fora de casos escabrosos, a moderação cai na subjetividade, ela depende de uma decisão humana. Por isso costumamos ver decisões questionáveis nas edições na grande imprensa. É a mesma coisa, tratam-se de controles “falhos” porque dependem de interpretação, não de valores matemáticos absolutos, inquestionáveis. Você deve se lembrar que a própria censura declarada falhava na moderação, deixando passar conteúdos que, aos olhos da ditadura, seriam proibidos.

No caso específico do Emílio, não vi um consenso entre as pessoas que leram o comentário. Alguns acham que tratava-se de uma ofensa. Outros qualificaram como opinião. Sugiro que você leia, e nos diga: você teria vetado ou você considera que foi uma opinião forte, mas uma opinião relevante?

3)  Anonimato

Vimos o que todo mundo sabia: moderação não é simples, tanto que, se Emílio errou, erramos também o advogado, a Globo e… eu. Pelo menos nós todos. Basta lembrar, aliás, que alguns grandes portais brasileiros não são moderados, até porque, operacionalmente, trata-se de algo complicado. Entretanto, há mais uma diferença: ao contrário do Emílio, os grandes portais com certeza dispõem de boa assessoria jurídica pronta para agir sempre que preciso.

O Emílio cedeu os contatos do comentarista, conforme solicitado. Aí vai outro ponto importante. Os provedores não guardam os logs de acesso. Isto quer dizer que não necessariamente você vai chegar ao computador utilizado. Temos que pensar: devem os provedores ser obrigados a guardar os logs? E por quanto tempo? Estaríamos sob uma constante “escuta”, invasão de privacidade? E mais: um usuário um pouco mais avançado consegue navegar tranquilamente sem ser identificado. Alguém acredita que um dia todos estes dispositivos de acesso à Internet serão “trancados”? A que preço?

Para tornar ainda mais complicado o caso, o comentarista pode ter sido utilizado uma lan-house. Aí já era. Para saber quem foi o usuário responsável, só com o registro de cada pessoa que utilizar um dos terminais. Seria possível fazer isto? Fere de alguma forma a liberdade individual do usuário? Seria a instalação definitiva do “Grande Irmão” em nossas vidas, ou medidas necessárias para salvaguardar nossos direitos?

Vê-se que temos um problemão: se o fator humano responsável pela moderação, assim como o Emílio, o advogado, os editores da Globo (ah, o editor-chefe do Bom Dia Brasil e o editor do site também!) e eu, deixássemos passar o comentário, dificilmente seria localizado o autor. Enquanto o Emílio esteve o tempo todo aí de cara limpa, assinando o que escreve, e vai pagar por isso, o verdadeiro “culpado” (se alguém chegasse à conclusão de que o comentário foi mesmo difamatório) está escondido atrás do anonimato.

Complicado né?

4)  RT @thahy Quem tem @, tem medo ;)

O mais legal é que a partir do caso do Emílio, temos o gancho ideal para começar em Fortaleza um urgente debate sobre Cultura Digital. Isso tem a ver com você, com seus amigos, com sua família. Ou pelo menos com as pessoas que usam email, Orkut, Twitter, MSN, que produzem conteúdo, fazem arte, pesquisam, namoram, conversam, …

Não temos vínculo com nenhum partido, no entanto, se há está discussão puxada pelo Ministério da Justiça no www.culturadigital.com.br/marcocivil, mais importante do que nos separarmos por supostas ideologias, é participarmos do debate com a maior energia possível para tentar chegar ao modelo mais próximo do ideal.

Por isso convidamos todos que queiram participar do debate – que desejamos ser o primeiro de muitos sobre cultura digital - a comparecer nesta quarta no Dragão do Mar. Durante a semana vamos confirmar e compartilhar a programação.

5)  #freeemilio

A hashtag #freeemilio e o blog serviram para aglutinar um grupo a favor e, ao mesmo tempo, criar um antagonismo entre os que viram tudo isto como uma causa de blogueiros e tuiteiros. Até concordo que muitas vezes este grupo, que faço parte ativa, tenha um comportamento deslumbrado. Sinceramente, acho também muito normal que isto aconteça neste período de transição.

Tudo bem que o mundo avança o tempo inteiro, mas estamos vivendo um momento de transformação radical em todos os sentidos. Imagino que ninguém mais duvide disso. Para quem está mergulhado de forma mais intensa, trocando informações diariamente sobre o que acontece em todo planeta, buscando fazer, experimentar, errar, acertar, abre-se uma janela muito fascinante. É tudo novo demais, são muitas possibilidades.

Permito-me ver a nomenclatura #freeemilio com despretensão. #freeemilio é um maneira divertida de levantar a causa. Pra mim é apenas uma representação gráfica, uma forma. Claro que ele não foi preso, mas convenhamos que uma penhora de bens no valor de R$ 16 mil seja uma punição pelo menos desagradável.

Aí entra outro ponto. Ele faltou a audiência, não recorreu, está sendo punido por isso. Sem dúvida, vacilou. Agora, sem nenhum questionamento ao Judiciário, esquecendo o mundo processual, passando longe da filosofia do direito, dentro de uma visão totalmente leiga de justiça, você acha justo um estudante ter que pagar R$ 16 mil pelo ocorrido?

Eu não acho. Sinceramente não acho. O único grande erro do Emílio foi não ter tido uma assessoria jurídica por perto.

Emilio está negociando para tentar baixar o valor a ser pago. Seja quanto for, contribuirei com quanto puder, e irei colaborar na campanha pra arrecadar grana suficiente pra livrar a cara dele.

Por isto estamos organizando para esta semana um evento gratuito sobre cultura digital, e pretendemos fazer uma festa para arrecadar a grana necessária pro Emílio se limpar com a Justiça. Como está tudo em cima da hora, na segunda pretendo ter mais informações.

#freeemilio!

O valor da criação

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Caí na besteira de, em dias seguidos, assistir os filmes Besouro e Bastardos Inglórios. Claro que a comparação é injusta, as propostas são diferentes, mas acabou sendo inevitável pra mim. O primeiro é bem cuidado esteticamente, imagino que até que possa ser sucesso na gringolândia, como um Tigre e o Dragão brasileiro com fortes influências afro. Daqui a pouco tempo deve passar na Sessão da Tarde.

Já o filme de Tarantino começa com um homem vendo um carro se aproximar, até que dá início a um diálogo. Um longo e fantástico diálogo. Apenas dois homens conversando, um texto sensacional, a plateia vidrada. Pra evitar meu exagero de adjetivos, nem vou dizer mais nada sobre o roteiro, direção de elenco,…

Digressões à parte, eu ia falar mesmo era sobre isso aqui.  Um ponto que acho interessante de agências que trabalham com o digital é que, para sobressair num meio onde tudo é novo demais, elas estão sempre buscando formas criativas de “se vender”. Em ambiente web há muitas possibilidades inexploradas, que podem se disseminar muito facilmente, como recentemente foi, por exemplo o caso da BooneOakley.

Muito legal a ação Instant Creative Solutions, brincando em cima do já clássico case Subservient Chicken, da CP+Bogusky. Quem trabalha com criação, seja lá do que for, na mesma hora se identifica. Talvez por ser intangível demais, criação é algo, de uma forma bem generalizada, ainda bem desvalorizado. Todo mundo quer o mais diferente, mais bonito, mais original, mais impactante, pelo menos preço (”dá só um jeitinho aí”). Por que então você imagina que dois caras da Droga5 ,  colecionadores de um monte de prêmios relevantes, deveriam trabalhar para você de graça?

A lembrança dos dois filmes citados no começo deu-se porque eu fiquei assistindo o vídeo dest campanha, com os dois criativos calados, até o fim. Imagino que quase todo mundo. Uma ideia simples, produção zero, com uma mensagem forte, mostrando dois profissionais de ponta, potencial de criação e realização. Ao fundo, no quadro, mensagens repetidas mundo afora, presentes em qualquer briefing.

A ação já está correndo blogs e sites de publicidade da gringolândia. O recado vai chegar onde deve, não tenho a menor dúvida.

“Por que as agências de Fortaleza não investem em Internet?”

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Dia desses fui com o Gabriel, da Noix, à UFC falar sobre internet. O encontro foi bem legal. No final uma estudante perguntou por que a maior parte das agências de Fortaleza não investe em internet. Sem revelar nomes, ela disse que um publicitário local de destaque havia estado lá e desmerecido a internet como ambiente para propaganda. Na verdade, acredito que o que o publicitário quis dizer foi que não sabia como ganhar dinheiro com a internet.

Esta questão é discutida mundo afora. Não apenas pela publicidade. O jornalismo, por exemplo, se desespera na busca de modelos de negócios viáveis, de um dia poder transformar a crescente audiência da web em faturamento similar ou maior ao do impresso. Isso para citarmos apenas dois mercados ainda perdidos nesta transição. O que vai acontecer, por mais embasado que se busque ser, ainda é exercício de futurologia. E tenha certeza: futurologia é um exercício indispensável para quem deseja andar na frente, deixando de ir a reboque.

Mas vamos lá, pensando aqui no nosso mercado. Não há mais razão para nos mantermos em marcha lenta enquanto o mundo inteiro está em outro ritmo. Claro que não respondo por uma estrutura, o salário de nenhuma família depende de “minha empresa”, desejo apenas contribuir para a reflexão. Com certeza se eu fosse um empresário de comunicação num modelo de negócios que ainda me gera faturamento alto, nele eu ficaria. Mas, como todos com certeza andam fazendo há tempos, quebraria a cabeça em novas possibilidades.

Seria ingenuidade acreditar, como muitos pregam, que a “mídia tradicional”, que garante um retorno alto pra algumas agências, vá se acabar. A grande dúvida, pelo jeito, é como a internet ou qualquer “nova” forma de comunicação pode gerar receita relevante dentro do atual modelo de negócios.

Bem, vamos lá, vou dar minhas opiniões pessoais para ver se ajudam em algo.

- Rentabilidade

Nenhuma campanha online em Fortaleza vai render tão cedo o que rende uma de “mídia tradicional”. Com certeza por enquanto o empenho de energia vai ser maior e a remuneração bem menor que os meios de massa. Pelo menos por algum tempo sim. Tempo suficiente para as empresas anunciantes locais entenderem que o resultado vem com a continuidade e multiplicidade das ações. E aí, elas não terão mais dúvida porque Nike, Axe (Unilever), HSBC ou Bradesco, entre tantas outras, dedicam porcentagens cada vez maiores de seus orçamentos à Internet.

Na política, onde o fenômeno Obama causou um frenesi, já se entende a necessidade de investimento em internet a ponto de ter gente pedindo R$20 milhões para fazer a campanha online de 2010 (embora tenha quem ache que tudo é de graça na Internet). Soa ainda como exagero, mas se a gente for listar a diversidade de opções para se trabalhar um candidato em ambiente virtual, vai concluir que nem o céu é o limite. Basta dizer que a campanha já começou, e está bombando na Internet.

- Integração

Não estão em jogo processos excludentes. Fazer campanha pela Internet não significa abrir mão de outras mídias. A grande riqueza está na integração. Empresas que marcam forte presença online como Nike, Axe (Unilever), HSBC ou Bradesco, jamais prescindiram de ações em outros meios. Nem faria sentido.

O maior desafio, na minha opinião, é como um conceito pode ser aplicado naturalmente dentro de cada plataforma. Aquele papo de fazer uma campanha “tradicional” e chamar um “uns meninos” pra um desdobramento na internet não rola. Bom mesmo é quando a utilização do digital não vira um adereço online, mas um elemento ativo na dita “vida real”, integrando pessoas em torno de experiências diferenciadas como nesta campanha.

- Mídias Sociais

O ponto mais importante é que as pessoas estão (estamos) conectadas, sejam de agências, anunciantes, consumidores, todo mundo. Computadores, celulares, OOH, estamos ligados ao (e pelo) mundo digital 24/7. Se os potenciais clientes estão conectados o tempo todo, não há como alguma marca não estar. O aplicativo acima ilustra a dinâmica de participação nas mídias sociais.

Como disse Silvia Sardinha, diretora de Internet e Eventos da Secom (Governo Federal), em evento recente: “integrar governo com mídias sociais não é fácil, mas é preciso começar”. A frase resume tudo. Como todos os meios, a Internet tem as suas peculiaridades. Podemos citar, por exemplo, o fato dela ser multimídia e multilateral. Dois pontos que mudam bastante, exigindo que marcas deixem de apenas querer falar para se relacionar.

As agências digitais locais, em sua maioria, por bastante tempo, ficaram restritas à produção de websites. Claro que a maioria por simples questão de sobrevivência, não por vontade própria, imagino. Depois veio a febre da mídia social, tema sobre o qual, por aqui, mais se fala do se que faz.

- Muito além do site

Eu diria sem medo que é muito difícil vislumbrar tudo que pode acontecer de ações na internet, e muitas vezes estas ações não passam necessariamente por websites. Passeie por uma listinha colaborativa do que grandes empresas já fizeram. Basta dizer que a Fiat no Brasil chamou as pessoas para participar da criação de um novo modelo de carro. Já ouvi muito lamento de que em Fortaleza existe resistência por parte dos anunciantes. Claro que sim, mas com certeza, quando os cases locais começarem a pipocar, o quadro vai mudar.

Embora grande parte das agências locais hesite em investir em campanhas digitais, em quase todas também há criativos muito atentos a isto tudo. Alguns irão embora, como tantos outros fizeram, em busca de outros horizontes. Tantos outros irão ficar e, tenho certeza, assim como pode uma agência do norte do México, daqui também podem sair modelos de negócios com visibilidade global. Gente boa não falta.

- Métrica

Na dita mídia tradicional quando a campanha está na rua, grande parte do estresse se foi. Na Internet não. Os mesmos clientes que cada vez mais ouvem falar do êxito de ações diferenciadas em Internet, e provavelmente irão exigir tê-las como opção em seus mixes de comunicação, vão saber que na Internet você dispõe de uma nova realidade, muito mais precisa, de mensurar seus resultados.

Com certeza sua marca não falará de uma única vez, por 30 segundos que seja, com milhões de pessoas. No entanto, terá chances concretas de conhecer muito mais a fundo seu potencial cliente, conversar com ele, de gerar entretenimento, participação, engajamento, envolver de diversas formas, com grau de dispersão mínimo. Vamos mensurar tudo isso além da audiência.

A eventual pergunta é sobre o risco desta aproximação. Claro que existe, mas é bem menor do que o risco de ficar fora da conversa.

- Pé no chão

O pecado maior entre nós, que curtimos de forma mais intensa este ambiente Internet, sempre foi o deslumbramento. Um texto recente do Daniel Sollero tratou com maestria deste tema, de como com frequência nós mergulhamos tanto neste assunto que criamos um mundinho à parte que não funciona quando você abre a janela.

O legal seria a gente exercitar o lado contrário. Esquecer o hype, pensar como todas estas formas de comunicação integradas irão ser interessantes para as pessoas com queremos nos comunicar. Sem barreiras entre online e offline. Isto tudo em discurso é super bonitinho. Temos que fazer acontecer.

- Mão na Massa

Mesmo com todas as limitações de mercado que existem por aqui, não faltam em Fortaleza iniciativas independentes bem legais, como a rede Eu Blogo (com audiência pra matar de inveja grupos de comunicação locais), o Gengibre, o poder colaborativo do Buracos de Fortaleza, o WikiMapps e tantas outras.

E aí, finalmente, chegamos ao ponto. A era comercial da Internet completa 15 anos em 2010. É tudo novo demais. Ninguém, ninguém mesmo, sabe o que vai acontecer daqui pra frente. Modelos de negócios serão descobertos. Formas de narrativas deverão surgir. Seja lá o que vier, só se saberá estudando e testando. É um exercício diário. Não é à toa que tanta gente ganha relevância (aparentemente) de um dia pro outro. São pessoas que estão fazendo, enquanto a maioria apenas replica ou consome. A cada dia que não produzo nada de novo me arrependo mais. Uma iniciativa despretensiosa há alguns anos me gerou excelentes trabalhos, além de uma satisfação enorme.

Este exercício, para agências de publicidade, ou empresas de qualquer setor, é fundamental. É o único caminho para entendermos melhor este universo digital, ainda com tantos e incontáveis horizontes a serem descobertos e explorados. Diversas agências produzem experimentos com o público interno. Seja como for, é preciso fazer.

Não haverá incremento instantâneo considerável de receita, os erros e dúvidas serão muitos. Acredito, porém, ser este o único caminho de atender aos anseios dos clientes e, de forma bem pragmática, aos poucos entender como estas transformações todas vão se traduzir em respeitosas margens de lucro.

Ou, sendo mais pragmático ainda: o quanto de prejuízo poderá ser num futuro próximo ficar de fora, só olhando a isso tudo?

Publicidade é relacionamento

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Depois do sucesso com a campanha Homem Perfeito, no último natal, a rede de lojas masculinas Athos mais uma vez pediu à 101° Macaco uma campanha focada em interatividade via web, tanto para aumentar o awareness da marca como para aproximar dos seus novos e antigos clientes.

Pegando o gancho das mães que sempre reclamam que querem presentes para elas mesmas, não para a casa, foi criada a campanha “Deixe seu pai feliz de verdade”. É como se fosse uma resposta paterna, de quem não quer nem caixa de ferramentas nem prêmios mais ou menos como cuecas e meias.

Quase 100 blogueiros e twitteiros ativos de Fortaleza receberam em casa kits com gravatas, chinelos, meias ou bonés Athos. Junto uma cartinha explicando que ali eles já têm o presente do dia dos pais, se quiserem. Mas, como consideramos que seu pai merece mais, diariamente, até a sexta-feira anterior ao dia dos pais, a Athos fará promoções tanto pelo Orkut (perfil “Athos Dia dos Pais”) e pelo Twitter (@athoshomem), com promoções simples em que você poderá ganhar as mais diversas peças de roupa.

Resumindo: você não precisa gastar nada, nem sequer levantar da cadeira, para dar um presente Athos pro seu pai. A promoção está no segundo dia. Se você quiser saber se ela está gerando conversas sobre a marca, basta entrar no Twitter ou Orkut e fazer uma busca.

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