Goleia Brasil!

Estou em casa com o Levi, meu filho recém nascido. Infeizmente o modem da Claro é uma desgraça, mal consigo mandar um email de texto. De qualquer maneira, já que consegui entrar aqui, segue uma força bem-humorada pro Brasil ganhar de goleada dos Estados Unidos. É um jabazão assumido de uma brincadeira nossa.

Depois da vitória contra a Itália publicamos uma excelente razão pra goelada sobre os Bafana Bafana:

A goleada não veio, o resultado, claro, não foi o esperado:

Vamos ver como vai ser contra os Estados Unidos.

Mídia social não é pirlimpimpim

Hoje mais cedo retuitei o vídeo acima. Aproveitei uma hora do almoço bem tranquila para assistir quase todo. Faltando 10 minutos, tive que abandonar.

O documentário é legal. Pros ansiosos, não chega a ter muita novidade. O time regido pela torcida ou a rede social de empréstimos financeiros lembram muito o conteúdo do Wikinomics. Mas que saco: quem disse que temos que consumir apenas o que é novo o tempo todo? Seria enlouquecedor. É legal revisitar o termo “redes sociais” de uma maneira mais abrangente, sem ser apenas “aproxime-se de seu cliente”. Imaginar formas de gestão pública ou privada que sejam participativas de verdade é sem dúvida animador.

O ponto que quero chegar é que depois que se passou a falar de “mídia social”, este termo virou um clichê tão chato e vazio quanto qualquer outro. Até mesmo porque quando você entrar no Twitter, por exemplo, a impressão é que tem muito mais gente vendendo do que comprando. Minha impressão é que o fenômeno que há poucos anos aconteceu em SP se reproduz por diversos estados. Um certo deslumbramento, uma metalinguagem sem fim - em qualquer sentido. Todo mundo quer abocanhar o tal filé da mídia social, exibindo um cardápio repetido e nem sempre exequível.

Não quero desestimular nem falar mal de ninguém. Acho ótimo que exista um clima de empolgação, que mais gente se interesse e difunda o assunto. O que me incomoda é que muitos de nós, que deveríamos zelar por catequizar o mercado, estamos agora bancando os profetas com solução pra tudo. Tenho visto uns pacotes prontos de mídia social que são de vomitar. Já recebi visita de gente vendendo “rede social igual à do Obama”. Ainda tem quem ache que tudo gire em torno exclusivamente de tecnologia. Em outros casos vende-se uma apresentação cheia de velhas novidades e terminologias em inglês, e depois se joga um coitado lá na cova das leões para fazer o trabalho que deveria ser de uma equipe. Claro que não funciona - mas há quem ache que o imporante é que o (mau) serviço tenha sido vendido.

Não existe remédio perfeito produzido com mídias sociais - nem com nada. Embora não seja meu negócio no momento, é algo que acompanho e acredito há uns anos. O desafio é como chegar ao mercado deixando um pouco de lado o oba-oba, adequado à realidade, principalmente de mercados mais frágeis como o nosso, em Fortaleza. Isso depende de diversos fatores. Como disse a gerente de e-marketing da Roche para a América Latina, Ronízia Moura, “web não e barato”.

Claro que se você for comparar de forma absoluta com uma campanha de mídia tradicional, talvez a impressão seja a contrária. Mas se você pensar que um projeto de mídia social exige um prazo normalmente mais extenso, que o relacionamento se dá todos os dias, não apenas quando você dispara algo, que você compartilha o processo com todos da rede, que diferentes formas de monitoramento, aí a coisa muda de figura. Planejar uma campanha de mídia social demanda sim tempo e um investimento considerável, se você quiser retorno de verdade. Este papo de “baratinho” é também um mercado real, mas cá entre nós, faça a gentileza de deixá-lo para os sobrinhos dos empresários sem horizontes.

Não tenho a menor dúvida da eficácia quando bem feita, mas por favor, vamos entender a importância da mídia social dentro de um planejamento de comunicação, e levar o processo a sério em todas as suas etapas, não achar que é algo que se resolve com pirlimpimpim. A gente está muito atrasado para nos perdermos em verniz. A responsabilidade por fazer o mercado acreditar em mídia social é de quem deseja trabalhar com isso. O mercado anunciante de cidades como Fortaleza ainda vê este tipo de estratégia como bijuteria. Está na hora das pessoas que de fato entendem do assunto começarem a mostrar a cara para não dar espaço aos oportunistas que já começam a aparecer. Boa sorte a todos.

Divirta-se (ou acorde)

Bom fim de semana.

Um passo à frente, você…

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O final da frase do Chico Science todo mundo conhece: “Um passo à frente, você não está mais no mesmo lugar”.

Há poucos dias comentei como o pessoal desce o pau em cada nova tecnologia, como se cada passo tivesse a obrigação de representar o final de uma maratona de inovações que não irá parar nunca. Sem querer entrar no reino da piada pronta declarando em que data o papel deixará de ser usado, ou livros e jornais irão morrer (ou se mesmo isso um dia irá acontecer), prefiro me restringir a afirmar que a passos bem rápidos os leitores digitais computadores estão cada vez mais agradáveis, seja em termos de design, ergonômicos, ecológicos, de portabilidade, e, mais do que tudo, por poderem abrigar mais conteúdo do que qualquer plataforma física está tica e não interativa. Isso pra quem quiser, é lógico.

 

Este protótipo do CrunchPad (leia post em inglês no TechCrunch), leve, com touch-screen estilo Iphone, telazinha sem brilho, é mais um passo concreto a ser considerado.

Campanha da BMW dá livro de presente

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O amigo Rodrigo Meireles acabou de comentar que recebeu em sua casa, gratuitamente, um livro enviado pela BMW. A dinâmica é bastante simples.  Você entra no Modern Spirits, encomenda e pronto. Recebe em casa. Tudo grátis.

Na verdade mesmo, acabei de olhar, o livro esgotou. Também não acredito que eles entregariam no Brasil. Não sei se vai sair uma nova edição pros espanhóis. O que interessa é que, mais uma vez, o foco da campanha está em pessoas e a plataforma não é exclusivamente digital. Não se trata apenas de tecnologia. Pelo contrário.

No site você encontra os personagens das entrevistas das 148 páginas do livro. Como diz o Rodrigo, são “embaixadores do bom gosto”, profissionais de diversas áreas ligadas à criatividade, com forte valor agregado de inovação. Pessoas de quem se espera comportamentos cheios de atitude, muito além do comum. Tudo é um grande convite para você experimentar novas sensações. Quem não gostaria de receber um belo livro com profissionais de ponta discorrendo sobre temas como arquitetura, música, design e gastronomia?

E a BMW, onde entra? Tem uma marquinha lá embaixo do site, uma marquinha no envelope e outra no livro. Muito além disso tudo, está um conceito muito forte impregnado (o conceito da marca na Espanha é “Te gusta conducir?”), sedutor a um público muito sofisticado, target direto do produto. Muito, muito legal. Valeu Rodrigo, vou ficar esperando seu retorno pra dar uma olhada no livro.

De que vivem as agências que não cobram criação?

Se o assunto te interessa, dê um play no boneco acima. Claro que este é apenas um discurso improvisado feito enquanto descansava na Ponte Metálica. Esta questão tem que ser debatida demais ainda. Linguagens, modelos de negócios, há muito assunto embutido aí. O que não dá é pro planeta inteiro mudar, Fortaleza mudar, e nós ficarmos estacionados. Cabe às agências com credibilidade puxar este processo, inclusive pros clientes terem mais clareza sobre quem é quem.

Enfim, nem vou falar mais nada por enquanto, porque debate tem muito a aquecer.

Você só vai ouvir falar nisso por um bom tempo

Prepare-se: de hoje em diante você vai ouvir falar bastante de Projeto Natal. Nem vou linkar, a notícia vai chegar até você antes de qualquer hipertexto. Vão aparecer diversos Nostradamus contemporâneos anunciando - mais uma vez - o fim dos tempos. Quando virem um nível de interatividade muito além do absurdo, como este link enviado pelo amigo Silvio Cesar, do Tapiocaria, a gritaria vai ser total.

Repito mais uma vez o que qualquer pessoa que me conhece sabe: não sou um cara de tecnologia. O único videogame que tive foi um Atari, não saco nada de hardware nem software, mas me interesso muito em saber como a tecnologia pode melhorar a vida das pessoas. Estou bem acostumado com o cinismo ingênuo de figuras que não lêem nem um livro por ano com discurso de que estão preocupadas se crianças irão ler menos por culpa dos computadores. Outros clichês bem vazios circulam como preconceito à tecnologia.

Claro que a cada mudança social, seja por causa da tecnologia ou não, temos que ficar atentos para entender o impacto sobre nossas vidas hoje e no futuro. Para isso precisamos evitar a idealização de nós mesmos. O ser humano tem como principal virtude e defeito não obedecer muitos padrões. Isso vale não apenas para cor da pele, idioma ou religião, como também para convicções culturais, de caráter e até mesmo de satisafação em respeito à vida em coletividade. Aliás, há muitas variáveis a mais.

Um jogo com uma interatividade no nível que as campanhas estão anunciando é algo diferente de tudo que já vimos. A Nintendo vai ter que vir com uma nova porrada ou despencar o preço do Wii. Imagine agora quantas aplicações uma tecnologia dessas pode ter, além de um simples - ops, muito complexo - jogo. Tudo bem, imagine pro bem e pro mal o que irá representar em diversos aspectos, como por exemplo, a difusão das mais variadas formas de conhecimento. Prefiro ser otimista, de cara aqui vou viajando em inúmeras possibilidades.

Cadê o dindin?

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Engraçado o desespero com que as empresas de jornalismo estão correndo atrás do dinheiro. Esta notícia desmonta a possibilidade de aumento de receita por anúncios em web. Confirmando-se esta vertente, cairia de vez por água abaixo a velha máxima de “vamos investir para ter muita audiência e depois colher os frutos com verbas publicitárias”. Se este clima pega, os tímidos investimentos tendem a virar pó. Imagine que loucura, seria a bolha das bolhas ou, como sugere a mesma matéria, seria hora de pensar em outras formas de faturamento.

Há algum tempo penso nisso. Desconfio de soluções como vendas de assinaturas ou de produtos, assim como desconfio desta infertilidade da propaganda. Acho que bem na cara há outros formatos possíveis. O jornal A Crítica, de Manaus, levou três primeiros lugares e um segundo entre as melhores campanhas do INMA Awards, com 531 campanhas enviadas por 147 jornais de 53 países.  Outros jornais brasileiros estiveram entre os premiados. Veja aqui.

Tudo bem, eu comecei falando de digital, pulei pro impresso. Claro que foi de propóisto. É ou não é interessante que um jornal fora dos principais centros econômicos seja capaz de tanta inovação num produto tão tradicional? As possibilidades de inovação são absurdas.

Se há tanto o que fazer no impresso, imagine no digital. O que acho engraçado é como, a cada tecnologia anunciada, as críticas são ferozes como se aquela tecnologia fosse simples e acabada para revolucionar tudo. Como não existe nada assim no mundo, estes mesmo críticos se tornam detratores da nova ferramenta. Eu, que acho que a essência das coisas permanece como em Platão, tenho total fé no antropofagismo, em devorar tudo o que está pintando, tentando combinações de como isso tudo pode facilitar nossas vidas. Não tenho a menor dúvida de novos formatos sendo revelados a partir de tecnologias que já conhecemos. Este exemplo do Livro Vivo com QR Codes é apenas mais um passinho à frente. Em vez de se irritar “não vou usar isso nunca, é muito complicado”, vamos pensar no que ele pode gerar. Tem muita estrada semi-desbravada por aí pra quem gosta de contar histórias - e, quem sabe, ganhar dinheiro.

A 101° Macaco quer fazer sem sair do Ceará

Dizer que é diferente, todo mundo diz que é.

A gente não está preocupado em ser diferente, até porque continuamos tentando aprender o que achamos certo. Não pregamos uma revolução geral e irrestrita, a morte definitiva do passado e presente. Nada disso.

O que consideramos é que não dá para fazer as mesmas coisas, do mesmo jeito, como há quarenta anos, num mundo que muda tanto tão rápido. A forma como as pessoas lidam com a informações, com suas próprias relações pessoais, é outra. Nosso desafio é entender essas novas relações, ao mesmo tempo que buscamos resgatar ações simples como voltar a pintar dentro da agência. A essência do que somos, de nosso poder criativo, continua a necessitar exercício constante, uma busca de renovação e reconstrução que passa por um processo em que não se para de inovar jamais. E não estamos falando aqui apenas de tecnologia.

O Wave Festival está apenas em sua segunda edição. Lá estavam medalhões brazucas como Fabio Fernandes, Marcello Serpa, Eduardo Fischer e Washington Olivetto, assim como figuras impagáveis como Maxi Anselmo (Santo), Juan Carlos de la Torre (Circus - Peru) e Miguel Calderón (Grupo W - México), entre tantas outras. Na pauta, debates de novos formatos, novos modelos de negócios, melhor comunicação.

Pra gente essa busca é o que mais importa. Sem querer julgar ninguém, não alinhamos com quem se agarra no modelos de BV - e pra isso chega ao cúmulo de não cobrar criação -, nem temos interesse de ganhar alguns prêmios regionais manjados. Nada contra quem faz, só não é o que nos interessa. Por isso nos metemos, pequenininhos, entre as 94 agências latino-americanas que enviaram mais de 1000 peças pra concorrer no Wave. Ser abusado aqui é um pressuposto.

Pra nossa alegria, ficamos no shortlist de Cyber-Campanha Integrada (3 ou mais plataformas digitais) junto com um monte de gigantes:

1 - T-Racer (Agência Click) - Grand Prix da Cyber - http://www.congado.net/2009/fiat/puntotjet/campanha/pt/
2 - Hoy Puede ser un Grande Dia (BBDO Argentina) - Bronze (não teve prata)http://chuerta.com/awards/lays.html
3 - Mandale Un menaje a tu ex (BBDO Argentina) - Bronze http://chuerta.com/awards/pasodelostoros.html
4 - O Homem Perfeito - 101º Macaco - Shortlist
http://www.101macaco.com/wave/
5 - Esquadrao SOS Lhama (FBiz) - Shortlist
http://www.chiclets.com.br/wave/
6 - Seda Teens - Shortlist - (FBiz)
http://www.sedateens.com.br/wave/
7 - Xpress Bands - Shortlist - Wunderman Brasil Comunicações
http://www.xpressbands.com/

Das agências brasileiras em shortlists ou premiadas em qualquer categoria, a maioria absoluta era de São Paulo. Lembro agora de uma gaúcha. Do norte-nordeste de inscritos estávamos apenas nós. Ainda mais em categoria Cyber. É até engraçado ouvir os caras por lá falarem em low budget. O preço de nossa campanha não paga um salário destes caras.

A gente, no entanto, sabe que tem muita pedra pela frente. Estamos dispostos a bicá-las pra bem longe. Se tem agência na Argentina atendendo conta global e outra no norte do México realizando trabalhos pra Crispin Porter e Wieden+Kennedy, por que não podemos daqui ser grandiosos também? Claro que não falo grandiosos em estrutura, mas em capacidade de trabalho criativo que se reverta em grandes resultados para os clientes. É isso que a gente quer fazer.

O Google vai morrer

O título acima é apocalíptico por pura provocação.  Sempre que uma empresa historicamente de mídia tradicional utiliza umas das chamadas novas mídias para se comunicar, lá vem um profeta gritando que ali está a prova de que trata-se de uma mudança irreversível, há um modelo de negócios devorando o outro.

Isso é um saco.

Sempre que dou minhas palestras, ao todo mundo confirmar que conhece o Google, pergunto quantas campanhas publicitárias de massa da marca eles viram. Bem, meu discurso foi por água abaixo. Pra divulgar o Chrome, eles lançaram um comercial de TV. E aí, seria essa uma prova de que depois de tanta festa não tem jeito mesmo, se quer comunicar tem que ir pra TV?

Mais besteira.

Pra mim é uma prova do que todo mundo sempre soube. Comunicação se dá entre pessoas. Qual a estratégia de mídia a ser utilizada depende de vários fatores, só dá pra ser avaliado caso a caso, não existe um canal melhor que o outro para toda e qualquer situação.

Mas, enfim, se eu acho que o Google vai morrer? Eu tenho certeza que eu vou, você vai, da mesma forma como todos os grandes impérios da história morreram. Na boa, matutar sobre isso agora não vai levar a gente a lugar nenhum. Esqueça o título acima.

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